quinta-feira, 19 de maio de 2011

O CAU por SÉRGIO TAPERMAN

O NOSSO CONSELHO PRECISA SER CRAU!!!


Por Sergio Teperman - Artigo escito para a AU

Sabem Israel, aquele país que, embora tenha só o sul, insiste em dizer que lá existem os quatro pontos cardeais?

Uma vez, foi perguntado a um turista norte-americano o que pretendia fazer em sua estada no país. Tendo recebido a resposta de que o homem gostaria de fazer um tour por todo o território, perguntaram-lhe, então, o que pretendia fazer na parte da tarde...

Naquela época, Israel passava por uma horrível crise de economia, com uma inflação desenfreada em razão das despesas de guerra. Uma inflação no nível das famosas inflações brasileiras, com a diferença de que em Israel admitia-se que essa inflação existia mesmo.

Houve, certa vez, um debate famoso no parlamento israelense (não israelita, nem judeu, e que absurdo essa mania de confundir religião com nacionalidade... Se fosse assim, nós não seríamos mais brasileiros; seríamos evangelistas em nossos tristes estádios de futebol, que seriam transformados em superigrejas).

Pois no parlamento de Israel discutia-se a crise econômica do país, quando com o típico humor (agridoce) - aí sim, judeu - um deputado sugeriu: por que não declaramos guerra aos Estados Unidos? Eles jogam meia dúzia de bombas, põem um monte de dinheiro para financiar a guerra, e depois um monte de dinheiro para reconstrução do país e isso resolve a nossa economia. Estava tudo muito bonitinho até que um engraçadinho se levanta e pergunta: ok, mas e se ganharmos a guerra?

É o que acontece agora: de tanto insistirmos, o Lula, no dia de ir embora, joga a bomba do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) em nossas mãos. E nós aí, CRAU!!! Afffirrrmamos com todos os effes e erres, que não sabemos no que vai dar esse presente de grego com que nos contemplaram. Vejo essa questão por dois lados: o lado da sociedade e o lado dos profissionais.

Do lado da sociedade, vem ficando cada vez mais claro que os conselhos profissionais destinam-se a protegê-la, e que só faz efetivamente sentido regulamentar profissões cujo exercício possam em algum momento pôr em risco a vida de seus usuários. Por exemplo, profissionais regulamentados como: médicos, engenheiros, certos setores da ciência, pilotagem de aviões e embarcações etc. Para outras profissões existem proteções, mas não leis que impeçam profissionais não formados de exercê-las.

A arquitetura não se enquadra nessa lista de profissões protegidas, mesmo que alguns mais suscetíveis tenham um ataque.

E, ao ver alguns dos trabalhos dos nossos arquitetos e o valor de alguns projetos de edifícios de apartamentos e de escritórios, tenho certeza tratar-se de um caso de masoquismo.

Temos de ser lúcidos e lembrarmos que jamais ajudaremos a sociedade se não formos devidamente representados pelos nossos conselhos.

Visto do lado dos profissionais, o conselho técnico tem o poder de parar com essas nojentas RTs, que nos denigrem e que distorcem o mercado. Enfim, o conselho poderá ser um BomBril da profissão em todos os sentidos.

O conselho poderá preparar cadastros dos projetistas para instalações, assessoria, concorrências de obras, regulamentar o valor e a cobrança dos honorários, obrigando a todos a respeitar tabelas e contratos, proibir concursos de arquitetura etc. Ou poderia, como fazem hoje, não fazer nada e pagar salários a seus diretores e seus funcionários.

O dono do escritório em que trabalhei em Oslo virou eterno presidente do conselho local e transformou todas as porcentagens em um valor único de 7%, independentemente do tipo de trabalho, complexidade etc. Dizia que os projetos mais fáceis compensavam os outros difíceis e menores em tamanho, para os quais 7% não pagavam o trabalho. John Engh, esse magnífico arquiteto norueguês, projetou a embaixada da Noruega em Brasília (1984) e atuou como arquiteto local da embaixada norte-americana em Oslo (projeto de Eero Saarinen).

John Engh era uma personalidade internacional, capaz de juntar, em sua casa, personalidades como os ganhadores do prêmio Nobel, que todos os anos realizam sua cerimônia em Oslo. Foi assim que conheci, em um jantar, o cientista Linus Paulin e vários outros Nobel (que vergonha de quem não lembro mais o nome).

Mas há um lado em que tenho pensado; é que, além de defender a sociedade, o conselho poderia ser importante na defesa dos seus profissionais no dia a dia.

O conselho poderia ser também como era na Espanha, onde se garante a qualidade do trabalho e a correção do valor do contrato, devendo porém todos os contratos de projetos assinados serem submetidos ao conselho, que verifica o cumprimento de suas obrigações. Em resumo, o conselho praticamente atua como um juiz, na defesa do melhor tanto para o cliente quanto para o profissional.

Assim, a face aparente de protetor da sociedade do CAU requer que sejamos também por ele protegidos.

Havia um diretor de faculdade que dizia que, para ter sucesso, Maquiavel era lúcido e não maquiavélico. Meu caro Lúcio, para ter sucesso precisamos não somente ser lúcidos mas principalmente maquiavélicos.





É NOIS, MANO!

Os ‘livro’ do MEC

Por Guilherme Fiuza

“Nós pega o peixe”, ensina o livro didático de língua portuguesa “Por uma vida melhor”, de Heloísa Ramos.

Mas desse jeito a vida não vai melhorar tão cedo. O governo popular precisa ser mais ousado. Por que não “nós pega o dinheiro”?

Ou “nós faz caixa dois”, ou ainda “nós é companheiro, por isso nós ganha umas boquinha nos governo”.

Aí o português estaria errado. Como se sabe, a partir da norma culta do nosso Delúbio, não existe “caixa dois”, e sim “dinheiro não contabilizado”.

Da mesma forma, os intelectuais do MEC explicam que “nós pega o peixe” não é erro de português, mas “variação lingüística”.

Se o dinheiro pode não ser contabilizado, por que o plural tem que ser?

O Brasil finalmente caminha para a felicidade plena, com essa formidável evolução cultural “progressista”. As variações lingüísticas e as variações éticas vão formando esse novo país igualitário, que nutre orgulhosa simpatia pela ignorância.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, faltou à audiência pública no Senado sobre os livros didáticos. Está coberto de razão.

Se ele se recusa a recolher um texto que ensina os estudantes brasileiros a falarem “os livro”, tem mais é que se recusar a cumprir “os compromisso”.

Depois de explicar que é “claro” que você pode falar “os livro”, a obra “Por uma vida melhor” faz um alerta oportuno: “Mas fique atento, porque você pode ser vítima de preconceito lingüístico”.

Chega de preconceito contra os erros de português. Chega de elitismo. Delúbio tinha razão quando, apanhado operando o mensalão, disse que aquilo era preconceito da direita contra o governo dos pobres.

Da mesma forma, as eventuais críticas à inoperância de Dilma são rechaçadas como preconceito contra a mulher. E é claro que a oficialização da norma “nós pega o peixe” é o triunfo final de Lula, com seu diploma de vítima.

Viva “as novas elite brasileira”. E salve-se quem puder.


Nota do Post:

O que diremos aos nossos filhos, a quem dedicamos boa parte da vida e do esforço (afinal,educar neste país não é barato) para oferecer uma educação voltada a dignidade e ao exercício da cidadania, quando exigimos aplicação para apreender a língua pátria.

O que diremos aos centenários membros da Academia Brasileira de Letras que devem estar se contorcendo em seus túmulos. 

O que diremos aos milhares de professores que, durante muitas horas das suas vidas, dedicaram-se a ensinar crianças e jovens para corretamente expressarem-se na comunicação escrita e falada.

Afinal, qual será o futuro deste país?

segunda-feira, 16 de maio de 2011

PARALELEPÍPEDOS


Na década de oitenta Joinville tinha alguns predicados que eram muito elogiados pelos visitantes que aqui chegavam. Lembro que, certa vez, recebemos um grupo de técnicos do IPHAN, Ministério da Educação e Ministério do Desenvolvimento Urbano que nos visitaram durante quase uma semana para discutir alguns projetos para a cidade. Era a forma que o prefeito Wittich Freitag tinha para gerar uma maior intimidade e compromisso entre os representantes dos organismos federais com a nossa cidade.

Nestas oportunidades, sentiamo-nos ao ouvir citações elogiosas dos ilustres visitantes sobre a limpeza das ruas, das calçadas bem cuidadas, sobre a arborização e o verde do nossos morros ou morrotes e da nossa culinária.  Entre caminhadas no mangue, visitas a área rural e reuniões de trabalho, seguiam almoços ou jantares a base de marreco recheado, tainha assado ou um bom café colonial, onde se alinhavam as diversas parcerias. 

Mas, um dos elogios que sempre vem a mente é quando observo nossas ruas pavimentadas em paralelepípedos que encontram-se abandonadas (Eugênio Moreira, Concórdia e tantas outras) ou cobertas por asfalto. A lembrança se origina por conta de que esta mesma comitiva de técnicos levou para Brasília diversas fotos das ruas de Joinville que serviam de exemplo a ser seguido por outras cidades do país, destacando a preservação do pavimento com paralelepípedos e a sua integração ao ambiente urbano dando um toque especial e diferenciado, seja pelo cuidado, pela boa geometria da pavimentação ou pelo conjunto com a arquitetura e a paisagem.

Perdemos nossos calceteiros e a cantaria, estamos perdendo as ruas pavimentadas há décadas com os paralelepípedos, já que muitas delas estejam encobertos por massa asfáltica ou em péssimo estado de conservação.

Encaminho então uma sugestão, utilizada largamente na Alemanha (a foto é da cidade de Nuremberg), que utiliza o pavimento em paralelepípedos para as áreas de estacionamento, servindo como faixas de permeabilidade e de integração a paisagem.

É só mais uma idéia.

FREIBURG / QUARTIER VAUBAN - CIDADE SUSTENTÁVEL

domingo, 15 de maio de 2011

CANDIDATURAS QUE NASCEM À FÓRCEPS

A política local privou-nos do surgimento de lideranças verdadeiramente comprometidas com os anseios da sociedade.

Para os que já estão para além da meia idade, que puderam contar com as presenças no meio político de Joinville de homens públicos do quilate de Baltazar Buschle, Helmuth Falgater, Pedro Ivo Figueiredo de Campos ou Wittich Freitag, é mais fácil entender como estes senhores criaram uma espécie de jurisprudência administrativa, transformando promessas de palanque em coisas reais e transformadoras.

Hoje é baixa a credibilidade nas novas lideranças políticas que não são mais forjadas no seio das comunidades, e são totalmente voláteis.

Outras nascem à fórceps, das mãos inescrupulosas dos políticos/coronéis ou de empresários comprometidos unicamente com seus interesses para a obtenção ou manutenção de poder.

O monopólio público da estabilidade de emprego, os benefícios e tutela de grandes empresas, os interesses de corporações, a baixa instrução política e o modelo político partidário impedem o surgimento de novas lideranças legitimamente comprometidas com os destinos mais qualitativos da cidade.

O que se vê é uma nova casta de ocupantes de cargos muito próximos das cenas relacionadas ao empreguismo, aos superfaturamentos e manipulações orçamentárias.

Não são lideranças e não podem ser chamados de administradores, pois mesmo que na vida privada tenham algum sucesso, foi na vida pública que construiram imensos e inexplicáveis patrimônios. Assim, o que se prolifera são alguns operários da fraude, sistematicamente enfiados goela a baixo, manobrando e mobilizando a consciência social e coletiva em discursos “midiaticamente” preparados, porém falsos e sem conteúdo prático.

Por enquanto, pouco podemos esperar para o futuro local se continuarmos a não cultivar nossos valores e identidades que fizrema de Joinville uma grande cidade. Deixamos de ser inovadores e passamos a ser politicamente tutelados por quem tem como única intenção deter o poder, não o poder que representa a ferramenta para a obtenção da justiça social e busca da qualidade de vida, mas apenas uma conspiração para obter  interesses para poucos.

FRASES QUE SE ENCAIXAM PARA JOINVILLE

“Sem liderança suficiente, a mudança fica paralisada e vencer num mundo em rápida mudança se torna problemático”

(John Kotter, "Liderando Mudança")

segunda-feira, 9 de maio de 2011

TRÂNSITO E EDUCAÇÃO

Nesta cidade holandesa foi realizada uma experiência para suprimnir os semáforos como reguladores dos fluxos de tráfego, deixando ao livre arbítrio, mas seguindo regras de prioridades na mobilidade urbana, ou seja:  pedestres, ciclistas, transporte coletivo e só então o veículo particular. Por incrível que pareça a experiência reduziu o número de acidentes em 40% neste entroncamento do vídeo. Enfim, a educação é a base de toda sociedade desenvolvida.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

SOB ENCOMENDA?

O PLANO PÔNCIO PILATUS

O termo “lavar as mãos” é uma atitude, sobretudo higiênica. Ela nos resguarda da companhia de hóspedes indesejados – como vermes e micróbio nocivos à saúde. Mas além desse significado salutar, a frase feita tem outro nem tanto assim, já que também serve para identificar um tipo de procedimento nada recomendável: o da fuga à responsabilidade, da abstenção quanto à tomada de decisões importantes, ou então o fingimento de que não se tem nada a ver com o que possa acontecer a alguém, ou em algum lugar. A origem dessa expressão popular está na passagem bíblica que relata a condenação de Jesus Cristo à morte na Cruz - no Evangelho de São Mateus (27:11-26).

Portanto, usar o termo “lavar as mãos” vem de longa data e, apesar disso, mantém a sua atualidade. Gerações aceitaram o “não ter nada com isso”, como um padrão de comportamento, de jogar sobre os ombros de terceiros a responsabilidade que no momento, a função ou cargo lhe atribuía. Hoje, essa atitude ultrapassou a simples semântica alcançando um padrão de comportamento onde, no Brasil, o episódio do “mensalão” nos fez entender melhor seu efeito quando o mandatário maior do país disse desconhecer a maracutaia articulada na porta ao lado do seu gabinete. Ou seja, assumimos a frase como um modus vivendi, onde ninguém é responsável por coisa nenhuma, razão pela qual nos reconhecemos como uma nação de espertinhos e espertalhões, multiplicando-se como ervas daninha aos bons princípios e à boa cultura.

Foi, ao ler uma mensagem na rede social, que me inspirei a escrever este texto. A mensagem dizia - Poncio Pilatus, ao "lavar as mãos" agiu politicamente correto? Para mim, foi pura COVARDIA! Ele poderia, com apenas um gesto, livrar Jesus daquele pesadelo, mas optou pelo lado mais cômodo. É mais fácil e mais cômodo ser covarde!

Pois bem, ao ler a proposta de ordenamento territorial como lei acessória ao Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentável elaborada pelo IPPUJ, em fase de análise no Conselho da Cidade, percebi que ela não apresenta perspectiva para o desenvolvimento sustentável de Joinville. É omissa quanto às responsabilidades do poder público no exercício da sua estrita tarefa de planejar e organizar o território, que acabará por lhe ceifar definitivamente o já cambaleante exercício do poder de polícia administrativa.

A ver o mapa que foi produzido para o ordenamento territorial, que está em debate, percebo melhor a afirmativa do ex- presidente do IPPUJ, quando dizia que “a lei de zoneamento será uma guerra quadra a quadra” e, pelo que vi, vai prevalecer o modelo suscitado. É como colocar uma carniça à disposição de leões e gatinhos. Os leões tomarão conta de toda a carniça e, caso os gatinhos não se organizem, serão comidos também.

Pois bem, o IPPUJ ao invés de utilizar sua estrutura técnica e de pessoas habilitadas para exercerem a tarefa de planejar a cidade elaborando os documentos estratégicos preconizados no Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentável, resolveu esquivar-se, não sei se por incapacidade ou por preguiça, deixando para o Conselho da Cidade e Câmara de Vereadores a tarefa de esquadrinhar o uso da cidade. Porém antes, convenientemente estabeleceu um vasto território de expansão urbana que irracionalmente propõe ocupar áreas frágeis, inadequadas à exploração humana e, então, jogar para a sociedade a definição das particularidades, deixando numa arena a disputa pelos interesses, cuja correlação de forças irá beneficiar única e exclusivamente os leões.

Há algum tempo atrás eu tinha alguma dúvida se este processo estava destituído de intensões premeditadas. Hoje, estou me convencendo que o cenário político, a condução dos assuntos estratégicos relacionados ao Plano Diretor associada com formas sumárias de apreciação dos temas que deveriam apenas se esgotar no limiar de um amplo debate, é conduzida de forma intencional e num padrão autoritário. Minha dedução se dá pela leitura de súmulas e atas.

Sendo assim, o Pôncio Pilatus local tem mais um viés de ardil do que de covardia.

Por fim, o que está posto na mesa é de fato uma carniça urbanística. Coloca a cidade num espectro de depreciação territorial, fortalecendo ainda mais desagregação do tecido urbano, desrespeitando regras básicas de sustentabilidade, desconsiderando o zoneamento ecológico-econômico, omitindo interesses e acentuando as exclusões.

A porposta não apresenta uma agenda de compromissos para a Cidade do Futuro ao não estabelecer “mínimos operacionais” quanto à mobilidade urbana, preservação de territórios frágeis, proteção e recuperação de áreas de risco, áreas de tratamento de resíduos e efluentes, antevisão da integração e relações com territórios vizinhos, estabelecimento de áreas destinadas às operações urbanas e, deixa de apontar as áreas que necessitam de planos estratégicos para recuperação socioeconômica e ambiental, o que na instrumentação estabelecida pelo Estatuto das Cidades convencionou-se chamar Zonas Especiais de Interesse Social – ZEIS.

Outros tantos temas foram ignorados e, a dúvida persiste se a proposta adotada segue a linha de Pôncio Pilatus usando o "lavar as mãos" para não se comprometer ou, se a ação é premeditada. Aos gatinos deixo uma recomendação, aproveitando o pensamento do humorista Millôr Fernandes para dizer que existem apenas duas alternativas: "ou deixamos também de “lavar as mãos”, ou então nos locupletemos todos."