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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Temperos e Apimentadas - Meira Júnior

No blog Temperos e Apimentadas, do Meira Júnior, ilhéu consagrado, saem lembranças que normalmente calam na curta memória do povo catarinense.

PINHÃO NA CHAPA - A FALSA MODERNIDADE

O ex-governador Luiz Henrique, em dois mandatos, não conseguiu deixar uma grande obra para os catarinenses. Com um discurso da falsa modernidade, sombreou a transparência e varreu a sujeira embaixo do tapete. Modernidade? Governo eletrônico? Ora, como haveria modernidade e transparência sem o Diário Oficial eletrônico? É evidente que faltou transparência. Mas também faltou com o respeito necessário aos cidadãos. Foram muitos os escândalos envolvendo, direta ou indiretamente, o governo de LHS. Ao contrário do comportamento que se espera dos homens públicos, LHS nunca veio a público explicar ou justificar alguma coisa. Afinal, quem não deve não teme.

A INAUGURAÇÃO

Aproveitando algumas escalas no Brasil, o ex-governador Luiz Henrique montou uma parceria com o itinerantíssimo prefeito Dário Berger. Foram cúmplices no Escândalo Bocelli, dentre outros episódios. Mas não podemos esquecer que a dupla LHS-Dário é responsável pela mais importante obra nos últimos 100 anos: o Metrô de Superfície. Foram incansáveis na busca do melhor modelo e, para tal, visitaram sistemas de transporte ferroviário por todo planeta. Com a audácia que acompanha arrojados homens públicos, anunciaram, projetaram e reiteraram a inauguração para 2010. E será inaugurado em 2010. Ou alguém poderia duvidar de LHS? Só falta definirem a data.

GRANA DO ALDINHO?

Lembram daquele assessor especial da Fazenda? Aquele que se revezava entre os dólares e os rapazes. Aquele que era um caixa dois oficial. Foi pego pela Polícia Federal com uma grana preta sem destino e sem origem. Pois é. A grana do Aldinho sempre foi um mistério. Ou uma lógica desproporcional. Aldinho teve um padrinho. Agora estaria retribuindo. Até porque a grana seria para a campanha mesmo. Tem candidato a deputado do Norte demonstrando um bom fôlego financeiro. Parece que o Aldinho também tinha outras malas. Com fins óbvios e destinos idem.

ESPETO CORRIDO - A BENGALADA

A prepotência e o egoísmo político são marcas indeléveis ex-governador Luiz Henrique. Para fortalecer sua candidatura ao Senado, estraçalhou seu partido, o PMDB, e atropelou o PSDB. O PMDB ficou rachado e algumas lideranças já correm foram dos trilhos de LHS. Agora o troco vem dos tucanos. Além de vários focos de rebeliões, também o governador Leonel Pavan está com a vingança engatilhada. Uma bengalada seria o comportamento natural para quem teve seu destino político alterado por manobras ardilosas. Depois de usado e abandonado, dificilmente Pavan estaria empolgado com a candidatura do Raimundo. O apoio à Angela pode enxaguar a alma dos tucanos.

APIMENTANDO a CONVERSA...

Aqui na minha Joinville fui diversas vezes vítima daquilo que chamavam de "Choque de Desenvolvimento",  uma espécie slogan muito afeito a alguns políticos que gostam de frases de efeito e de efeitos especiais, cujo mote é plantar um pensamento de "Unanimidade" enfiando continuadamente falsas promessas e falsas verdades  "Goela Abaixo", a tal ponto que a mais nova faça esquecer a mais velha, fazendo meus conterrâneos crer que estávam no céu, num mundo onde tudo era perfeito. 

Por conta da tal "unanimidade", que jamais poderia ser questionada, ganhamos um Centreventos, aquele ginásio metido a besta, capenga e inacabado; ganhamos a nova fábrica da Antártica que foi instalada lá no estado de São Paulo, ganhamos uma montadora de carros inglêsa que foi instalada na China, ganhamos a Arena Joinville, um campo de futebol com uma arquibancada mais do que comum a preço de estádio da Copa de 2014 e, depois de 4 anos, já está e parecendo com o Coliseo de Roma, um obra em franco estado de ruínas.

Não canso de passear pela "Costa do Encanto" fazendo rallye nos lamaçais de Itapoá ou nas dunas de Barra do Sul; fico encantado com a rapidez que hoje é ir a São Chico, na 280 duplicada que permite fluidez aos caminhões e turistas; me causa especial prazer entrar no "Mega Centro" (putz, aqui o cara realmente se passou) participar das semanais feiras e congressos num ambiente climatizado, de construção sustentável e moderna, típico das obras de primeiro mundo; ao final da tarde vou passear pelas largos e bem planejados passeios da "Via Gastronômica". UFA!

Fico entusiasmado vendo o Cachoeira fétidamente limpo após as obras que se originaram do empréstimo de US$ 100 milhões do BID (o chamado Projeto Joinville feito pelo Freitag, engavetado pelo rei). Afinal quem dá bola para um esgotinho básico aqui na "Cidade das Flores" que mal e porcamente trata 10% da merda que produz?

Por fim, agora sei porque a nossas estações de integração do transporte coletivo se parecem com a Estação Ferroviária e com o prédio do Corpo de Bombeiros Voluntários. É para simbolizar a lentidão e o inferno que é pegar zarcão nesta "Cidade dos Príncipes", que até nisto é mentirosa, pois aqui nunca aportou nenhum, só o rei...

Nelson Rodrigues tinha razão: "Toda unanimidade é burra"

Vote Certo - Vote para Mudar. Renove, reflita sobre o que fizeram por e para você melhorar sua vida que não tenha sido por sua própria conta. Olhe ao seu entorno, veja se sua cidade está bem cuidada e atendida em saúde, segurança, educação, mobilidade, lazer, respeito ao meio ambiente, saneamento e tudo que de alguma forma faça parte daquilo que pode lhe dar maior qualidade de vida.

Qualidade de vida não é ter um carro novo ou uma TV LCD de 50 polegadas.

Qualidade de vida é sair de casa para caminhar sem ter medo de assalto, é caminhar pela rua em calçadas seguras, é dispor de sombra, é poder ir ao Proto Socorro e ser "prontamente" atendido. É não ver crianças mendigando na rua nem traficantes querendo corromper seu filho a ser dependente das drogas. Qualidade de vida é saber que seu esgoto está sendo tratado e assim, você estará contribuindo para melhorar o meio ambiente. Qualidade de vida é ter servidores públicos capazes e em pleno regime de trabalho para servir a você em suas necessidades básicas, assim como você trabalha para contribuir com impostos para pagar os salários destes servidores. Qualidade de vida é algo muito especial e, para que seja alcançada, precisamos ter alguém que seja honesto e que da política não tenha seu único sustento, já que ser um político não é buscar um emprego, é doar-se para melhorar a vida dos cidadãos. Pense nisto!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

ARBORIZAÇÃO URBANA EM DEBATE - JOINVILLE

A recente discussão em torno da retirada das figueiras na Avenida Hermann Lepper (Beira Rio), as podas das árvores realizadas sem critério pela CELESC e a retirada de árvores na rua XV por conta da reurbanização em Joinville(SC), fez com que viesse à tona um assunto muito importante para quem vive nas cidades, que é a necessidade da arborização urbana. Reproduzo um texto elaborado pela pedagoga Miriam Prochnow em que o assunto toma a mesma dimensão na cidade de Rio do Sul(SC).

Arborização urbana é o conjunto de árvores e arbustos existentes no perímetro urbano de uma cidade, seja em terras públicas ou particulares, que cumprem diversas funções dentro da paisagem, principalmente regulando o microclima das cidades. As áreas de preservação permanente são especialmente importantes, principalmente as margens de rios e as encostas dos morros. Além disso é fundamental observar um bom planejamento para a arborização.

Infelizmente a realidade de nossas cidades não é bem assim. No Brasil, as estimativas mostram que 70% da população vive nos centros urbanos. Com o crescimento das cidades, sem planejamento, as áreas verdes foram substituídas pelas construções e os centros urbanos são hoje caracterizados pela pavimentação e construções, que o impermeabilizam. O município de Rio do Sul não foge à regra.

Os materiais utilizados são vidros, cerâmicas, ferro, asfalto e concreto, que absorvem os raios solares, tornando as cidades muito quentes durante o dia. Além da substituição das áreas verdes pelas construções, há ainda a poluição atmosférica, a hídrica, a visual e a sonora, que torna a qualidade de vida nos centros urbanos, pior do que em ambientes naturais.

Nas áreas construídas a água não penetra no solo, resultando em regiões de baixa umidade relativa do ar. Sem árvores, o clima do centro das cidades se torna bastante árido. As construções, o tráfego intenso de veículos, a queima de combustíveis, madeira e carvão, lançados por pequenas e grandes chaminés, são fontes de poeira e fumaça que continuamente poluem o ar e podem causar doenças.

Por que arborizar?

As plantas proporcionam conforto ambiental, porque interceptam, absorvem e refletem os raios solares. As áreas bem arborizadas apresentam temperaturas mais estáveis e em geral mais frescas. Além disso, podem ser plantadas árvores frutíferas, cujos frutos atraem pássaros. Os pássaros ajudam a espalhar as sementes que produzem novas plantas e ajudam no controle biológico dos insetos.

As árvores são como bombas hidráulicas que, usando as suas raízes, trazem a água do subsolo para a atmosfera. Elas refrescam e tornam a umidade relativa do ar mais apropriada para os seres humanos.

Praças, ruas e residências bem arborizadas, contribuem para a retenção de materiais poluentes. Quando o ar poluído passa pela copa das árvores, diminui a velocidade, permitindo a deposição das partículas sobre a superfície das folhas. Outra vantagem é que as folhas das árvores absorvem gases tóxicos como o dióxido de enxofre e de carbono.

Os benefícios sociais da arborização urbana são uma conseqüência natural. O equilíbrio climático e o controle da poluição não são os únicos resultados, uma boa arborização também ajuda a saúde física e mental da população. O paisagismo bem feito aumenta também o valor das propriedades, pelo conforto e beleza, gerando benefícios na área turística. Felizmente já temos no Brasil alguns exemplos de cidades que estão beneficiando muito pelo fato de terem uma boa arborização associada a um belo paisagismo. Praças e parques arborizados são espaços que convidam e atraem as pessoas para momentos de lazer, descanso e reflexão. Segundo a Associação Brasileira de Arborização Urbana o índice ideal de áreas verdes nas cidades é de 15 m2 por habitante.

Texto: Miriam Prochnow - Pedagoda, Especialista em Ecologia

O CEAJ - Centro de Engenheiros e Arquitetos de Joinville juntamente com outras instituições e profissionais entraram nesta discussão em torno da derrubada das árvores da Beira Rio e Rua XV de Novembro, manifestando-se contrário a poda e retirada de árvores sem qualquer critério ou antes que o município tenha um Plano de Arborização. Este debate começa a ter frutos quando a FUNDEMA, órgão responsavel pela manutenção da arborização promove um debate sobre o assunto estabelecendo um ponto de partida para a o debate e proposição de um amplo programa de arborização na cidade, para o bem da qualidade de vida de todos os habitantes de Joinville.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

JOINVILLE ESTÁ A VENDA - QUEM DÁ MAIS?

Existe uma técnica muito comum em política de baixo padrão e na imprensa marrom  que consiste em  "criar dificuldade para gerar facilidade".

A história da Lei Macrozoneamento da cidade de Joinville tem uma uma leve brisa de estar neste estágio e, parece que ainda vai dar muito o que falar. Agora dizem por ái que tem gente se colocando como interlocutor de um grande empresário da cidade, sujeito que tem interesse na mudança das macrozonas, especialmente na criação das áreas de transição, porque é claro, adquiriu áreas para ganhar na especulação imobiliária.

Explico - é mais ou menos assim: O sujeito compra hoje uma gleba de terra por R$ 1,50/m2 na atual área rural e, tão logo a lei das zonas de transição seja aprovada, o terreno passa a valer R$ 100,00/m2, no mínimo. Aí ele ganha sem qualquer esforço uma fortuna. Neste processo, os excluídos continuarão a ser mais excluídos e os concentradores de renda serão ainda mais donos da cidade.

Mas não fica só nisso, já tem vereador fazendo lobby dentro da câmara querendo convencer seus coleguinhas de trabalho a “negociar” a lei, possibilitando que algumas zonas de transição sejam aprovadas. Os bastidores dizem que a argumentação está lastreada na questão da UFSC, da GM e outros “motivos mais nobres”, mas o negócio mesmo é atender aos interesses dos mega especuladores. Tudo como vem ocorrendo em Joinville há muitos anos.

Não tenho muita esperança que os nossos edis venham manter sua decisão de congelar as áreas rurais por enquanto, e que o assunto seja mais aprofundado e discutido. Tem muita coisa em jogo nos bastidores e isto vale muito dinheiro. Afinal, estamos em época de campanha política e não tem hora melhor de abocanhar uns trocados, não é?

A novidade está na articulação destas intenções nada republicanas. Mais escolados, os interessados assumem lugares importantes dentro dos conselhos municipais. Ali definem as estratégias, convencem o Poder Público e em seguida colocam “assessores” dentro da Câmara de Vereadores que identificam um ou mais edis que se prestem a este tipo de negócio. Não tem sido muito difícil esta missão pelo que podemos perceber nos últimos tempos! Aí ele, o edil que se presta a este serviço, membro de uma das comissões que trata do assunto em foco fará o papel de convencimento dos coleguinhas, sendo o porta-voz da intenção. Ele próprio se dirá como UM GRANDE NEGOCIADOR DOS INTERESSES DA CIDADE, convenientemente omitindo o seu patrocinador!!!!

Já aconteceu antes, inclusive com os mesmos protagonistas a defender interesses muito específicos e privados. Como somos uma sociedade fraca, sem mobilização, sem propósitos comuns e carentes de posturas mais éticas, veremos mais um episódio da novela: “Como Destruir o Futuro de uma Cidade em troca de Bola.”