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terça-feira, 16 de agosto de 2011

MEMÓRIA LOCAL PEDE PRESSA

Situação do patrimônio cultural de Joinville é inquietanteEm minha luta em prol da sustentação do patrimônio cultural de Joinville, tendo feito um passeio com amigos de fora do Estado, deparei com fatos inquietantes. Foi em 29 de julho, quando essas pessoas do Rio Grande do Sul e Mato Grasso do Sul vieram, como turistas, para conhecer Joinville.

O Mirante, local de início para uma boa visita por situar espacialmente a cidade, encontra-se com o acesso impedido em virtude de obras inacabadas, pelo que se pressupõem, há quase dois anos.

A edificação número 66 e a outra ao lado, as duas situadas na rua das Palmeiras, sofreram pela ação de incêndios decorridos em 2009 e em 2010. Logo após, tiveram as esquadrias retiradas e os vãos fechados com tijolos, quando, na verdade, já deveriam ter sido tomadas medidas para a recuperação e restauro das mesmas; visto que são exemplares de uma rua histórica, tida como cartão postal da cidade.

A edificação número 188, situada à rua Rio Branco, pela situação em se encontra, deixa dúvidas acerca dos trabalhos desenvolvidos: está sendo demolida ou passando por obras de recuperação ou preservação?

As edificações localizadas nas ruas Visconde de Taunay, 288, e Procópio Gomes, 848, lamentavelmente estão se transformando em ruínas.

O antigo Hotel do Imigrante, situado à rua 15 de Novembro, 967, teve o telhado substituído há um ano. Por outro lado, a falta de obras de restauro põe em risco outros detalhes significativos desse expressivo e tradicional patrimônio cultural joinvilense.

A casa enxaimel número 449, localizada na rua General Valgas Neves, faz parte de um conjunto com mais de um século de existência e continua marcando fortemente a história da cidade. Infelizmente, não se sabe com certeza se está passando por reformas ou demolição, já que o telhado dos fundos está sendo desmanchado.

A edificação número 42, situada na rua Blumenau, apesar de ter sido inserida ao conjunto de patrimônios históricos joinvilenses, passou por obras que descaracterizaram e apagaram a memória dessa edificação junto às demais.

A edificação número 776, localizada na rua Max Colin, esquina com a rua Blumenau, foi beneficiada com recursos cedidos pelo Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec) para o restauro. Enfrentou, porém - durante as obras - descaracterizações das aberturas, ou melhor, haviam sido restauradas as janelas para, em seguida, serem substituídas por vitrines e, depois novamente voltarem à sua forma original. Além disso, resta ainda proceder ao fechamento lateral da cerca com a recomposição do espaço do jardim, somado ao cultivo de flores e ao restabelecimento do gazebo, outrora erguido próximo à esquina, para trazer à tona a memória histórica deste patrimônio. Também sofreu brutalmente devido à interferência da edificação, construída aos fundos, a qual avançou sobre esta, sem o recuo necessário que permitisse continuar evidenciando este bem.

Os quatro entre os seis museus: Museu Casa Fritz Alt e Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville encontram-se interditados, impedindo a visitação. O Fritz Alt, desde 2010, em função de problemas no telhado, o qual continua sem reparos - e o Sambaqui, a partir do início deste ano, em virtude das enchentes. Somam-se a estes, o Museu da Bicicleta e o Museu da Indústria, o primeiro, ainda sem local definido para o acervo, e o segundo, também interditado. Restam então somente dois museus em funcionamento: o que está ocorrendo com as edificações culturais?

A visita não envolveu todos os patrimônios culturais e pontos turísticos da cidade, tendo sido relatada aqui apenas uma parte desse percurso, bem como o que foi presenciado e criticado pelos mesmos. Foram justamente essas constatações acerca do que se presenciou que me causaram grandes preocupações.

Que os setores competentes da gestão pública atendem aos fatos acima listados, para que não se venha a perder mais e mais dos patrimônios culturais de Joinville.

Aprendi a amar e a apreciar esta cidade e sua história. Tenho certeza de que este sentimento também norteia as preocupações das instituições acima referendadas no que se concerne ao patrimônio cultural – local de memória e turismo de Joinville.

Tomemos, pois, cuidado com o patrimônio cultural da cidade. O primeiro a dar exemplo deveria ser o gestor público municipal, recuperando o bem situado à rua Max Colin, 550, de seu poder. Este patrimônio cultural vem sofrendo com a falta de manutenção e abandono. Cita-se também o Parque Municipal da Caieira, o qual se encontra com o mirante interditado. Somando-se a essas interdições, tem-se ainda a Biblioteca Pública Rolf Colin, com problemas no forro e, recentemente, a Casa da Cultura. Estes últimos, espaços culturais e de turismo e continuam sendo objetos da falta de manutenção preventiva.

É preciso tomar cuidado em relação à cidade de Joinville. É nosso patrimônio! Isso me faz lembrar as duas primeiras frases do Hino de Joinville: “Tu és a glória dos teus fundadores, és monumento aos teus colonizadores [...]”. Estamos passando por um momento de delicado estado de alerta. Apressem-se!

*Rosana B. Martins é arquiteta e urbanista

quarta-feira, 1 de junho de 2011

MOENDO AS IDÉIAS - MOINHO SANTISTA



As imagens acima é de Karlsrue, na Alemanha. Lá, encontrei um prédio que, imediatamente, fez-me lembrar o edifício do nosso Moinho Santista, na beira do Rio Cachoeira (abaixo).


O prédio de Karlsruhe  (tombado) além de muito bem preservado mantém com atividade no porto de Karlsrue, uma cidade a beira do Reno, na divisa com a França, distante 500 km do mar. (foto abaixo)


Outra curiosidade é que o Porto de Karlsrue dispõe de aproximadamente 12 km de cais destinados a diversos tipos de cargas (container, graneis líquidos e sólidos, congelados, etc.). Mais ou menos do tamanho do Porto de Santos (o maior do Brasil).

Quando vejo estas imagens, fico moendo ad idéias, muito especialmente sobre a incapacidade local em protagonizar a valorização da aqruitetura e espaços urbanos de qualidade, em particular na região do Mercado Municipal e do Moinho Santista. Penso que ali deveríamos elaborar um ambicioso projeto voltado a valorização da orla do Rio Cachoeira, na minha visão, o ponto mais notável do nascimento e do desenvolvimento de Joinville, hoje praticamente abandonado e esquecido.

Se não podemos chegar ao mesmo grau de desenvolvimento que os portos europeus chegaram,  em Joinville poderíamos pensar na valorização da arquitetura histórica, dos lugares que nos trazem identidades, com o cuidado de mostrar a beleza da arquitetura e do entorno, assim como os alemães (nossos também antepassados) tratam a sua cultura, nos mais diversos campos.


segunda-feira, 16 de maio de 2011

PARALELEPÍPEDOS


Na década de oitenta Joinville tinha alguns predicados que eram muito elogiados pelos visitantes que aqui chegavam. Lembro que, certa vez, recebemos um grupo de técnicos do IPHAN, Ministério da Educação e Ministério do Desenvolvimento Urbano que nos visitaram durante quase uma semana para discutir alguns projetos para a cidade. Era a forma que o prefeito Wittich Freitag tinha para gerar uma maior intimidade e compromisso entre os representantes dos organismos federais com a nossa cidade.

Nestas oportunidades, sentiamo-nos ao ouvir citações elogiosas dos ilustres visitantes sobre a limpeza das ruas, das calçadas bem cuidadas, sobre a arborização e o verde do nossos morros ou morrotes e da nossa culinária.  Entre caminhadas no mangue, visitas a área rural e reuniões de trabalho, seguiam almoços ou jantares a base de marreco recheado, tainha assado ou um bom café colonial, onde se alinhavam as diversas parcerias. 

Mas, um dos elogios que sempre vem a mente é quando observo nossas ruas pavimentadas em paralelepípedos que encontram-se abandonadas (Eugênio Moreira, Concórdia e tantas outras) ou cobertas por asfalto. A lembrança se origina por conta de que esta mesma comitiva de técnicos levou para Brasília diversas fotos das ruas de Joinville que serviam de exemplo a ser seguido por outras cidades do país, destacando a preservação do pavimento com paralelepípedos e a sua integração ao ambiente urbano dando um toque especial e diferenciado, seja pelo cuidado, pela boa geometria da pavimentação ou pelo conjunto com a arquitetura e a paisagem.

Perdemos nossos calceteiros e a cantaria, estamos perdendo as ruas pavimentadas há décadas com os paralelepípedos, já que muitas delas estejam encobertos por massa asfáltica ou em péssimo estado de conservação.

Encaminho então uma sugestão, utilizada largamente na Alemanha (a foto é da cidade de Nuremberg), que utiliza o pavimento em paralelepípedos para as áreas de estacionamento, servindo como faixas de permeabilidade e de integração a paisagem.

É só mais uma idéia.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Graças e Desgraças das Nossas Cidades

Revista Cult - Publicado em 14 de março de 2010

Arquitetura não é uma disciplina exata. Vivendo entre a arte e a técnica, ela é também poética

Amamos e odiamos nossas cidades quase que simultaneamente. Basta um comentário forasteiro para sairmos em defesa apaixonada da cidade em que vivemos. Mas entre nós, moradores, não poupamos críticas às carências e defeitos de nossa cidade, que tanto sofrimento nos causa. E os arquitetos, o que é que têm com isso?

Não é de hoje que nós, arquitetos, vagamos por infindáveis discussões teóricas e por inúmeros tratados sobre questões de programa e projeto, os chamados métodos projetuais. Esse é um tema que dá conformação à arquitetura ao longo dos tempos: é um fundamento. Mas nem por isso podemos afirmar que nossas cidades – as brasileiras – têm apresentado progresso em seus níveis de conforto urbano e de vida conversável, como gostaria Fernando Pessoa. Muito pelo contrário.

Pela própria natureza da arquitetura – transitar numa zona do fenômeno ou da fenomenologia – o espaço só existe quando experimentado, quando vivenciado no tempo de cada um ou de cada comunidade. Portanto, questões de programa e projeto estão imediatamente afeitas ao uso do espaço e às diferentes percepções dos diferentes usuários (cultural e psicologicamente falando). Não há abordagem absoluta ou exata para se chegar a um bom projeto arquitetônico. No processo projetual, como num jogo de xadrez, a cada ato ou decisão tomada, devemos rever táticas e estratégias para a obtenção dos fins; a cada ação, interferimos e modificamos a própria realidade com que estamos trabalhando. Programa e projeto se transmutam no tempo/espaço da realização arquitetônica, dos primeiros estudos e abordagens do problema, ao final da obra e sua ocupação e uso. Mudanças políticas e contingências de toda ordem afetam diretamente a arquitetura.

Definitivamente, arquitetura não é uma disciplina exata. Vivendo entre a arte e a técnica, produzindo arte e técnica, ela é também poética.

Podemos identificar em vários momentos da história da arquitetura ocidental quando é que conceitos de programa e projeto estiveram absolutamente integrados, fundidos em unidade de ação, e quando estiveram dissociados, dando espaço para a produção de uma arquitetura de baixa qualidade. Com raras e boas exceções, vivemos hoje, de modo geral, este segundo momento, em que o projeto se desvincula do programa de tal maneira que as conseqüências nefastas são imediatamente sentidas em nossas cidades, no nosso cotidiano.

Abrindo um parêntese, é importante esclarecer aqui que não estamos falando de programa como um simples elenco de necessidades espaciais. Entendemos por programa a mais abrangente e profunda demanda humana, seja no âmbito da vida íntima, individual, seja na vida em coletividade, pública. Programa enquanto tomada de consciência do significado ou da identidade do lugar, do lugar enquanto sítio habitado ou em vias de o ser. Cito aqui o arquiteto português Álvaro Siza: “… uma coisa é o lugar físico, outra coisa é o lugar para o projeto. E o lugar não é nenhum ponto de partida, mas é um ponto de chegada. Perceber o que é o lugar é já fazer o projeto”.

Portanto, projetar é captar e inventar o lugar a um só tempo. Vivemos a época da pós-cultura do espetáculo, a cultura da aparência. Nos dias de hoje, importa menos o que você é do que o que você parece ser. Aparência é tudo. Aparência como fim em si mesmo. E a arquitetura é um dos melhores veículos dessa falácia. Não importando o programa, seu conteúdo, ou, como quer Siza, o lugar, o projeto toma o rumo e as regras do mais cruel formalismo. Cruel porque despreza o fato de que seu objetivo final é o uso – o comportamento humano e o próprio ser humano, com suas idiossincrasias, suas diferenças culturais, suas diversas concepções de mundo e formas de estar no mundo.

Assim, a arquitetura se desumaniza, brindando às aparências, criando simulacros ou formas dissimuladas de segregação, dominação e poder. São os incontáveis marcos urbanos nefastos.

Podemos aprofundar um pouco mais esta idéia de programa para além da demanda explícita ou subjacente de um grupo ou de grupos de pessoas. Podemos agregar ao conceito de programa o uso ou a vida que se dará no futuro espaço a ser construído, fatos posteriores, portanto, ao projeto. Se concebermos projeto como forma analítico-investigativa e propositiva a um só tempo, estaremos fundindo os conceitos de programa e projeto em uma mesma unidade de ação. Ação que lê, avalia, interpreta, propõe e modifica relações humanas, comportamentos individuais e coletivos, trocas e convivência; ação que produzirá conforto ou desconforto, serenidade ou agitação, prazer ou sofrimento. Afinal, projetar é desejo de realizar algo no futuro.

Saber interpretar, ler, traduzir em espaço a vontade mais íntima do indivíduo ou anseios coletivos, é a tarefa do arquiteto. Ao projetar, o arquiteto deve dar muito de si, deve se colocar na situação do outro, vestir as várias peles do lobo nas inúmeras situações que podem se apresentar. Ao projetar um restaurante, ser cozinheiro e gourmand; um hospital, ser doente e médico; uma escola, ser aluno e professor… Arquitetura será assim entendida como uma roupa que vestimos, ou que nos veste: confortável, justa, apropriada ou absolutamente desconfortável e imprópria física e psicologicamente falando. E não importa se a escala é a do objeto, a da casa ou a da cidade. O desenho de um copo ou de uma cadeira importa tanto quanto o de uma praça ou de um boulevard.

Esse discurso pode parecer um exagero quando refletimos sobre nossa prática arquitetônica. Mas o fato é que nessa prática tudo cabe. Na poética da arquitetura, podemos abarcar bons bocados do mundo, seja no tempo, seja no espaço. Guiamo-nos pela imaginação e pela responsabilidade civil, pela liberdade de criação e pela busca de rigor em nossos projetos.

Tratando-se de programas ou demandas de espaços públicos ou marcos urbanos, existem momentos em que devemos ser muito contundentes, afirmativos em nossa proposição/projeto. Mas existem também aqueles momentos em que devemos quase desaparecer, como um contra-regra de teatro: dar toques mínimos em pontos específicos, ser invisíveis, ajeitar coisas com mãos leves… e o resultado se sentirá. Cito aqui o exemplo do Sesc – Fábrica da Pompéia (São Paulo), que vai da delicadeza da recuperação e restauro da antiga fábrica de tambores à violência da inserção dos blocos esportivos em concreto aparente, com suas passarelas feéricas a la Metrópolis, de Fritz Lang. O fazer arquitetônico transita entre estes dois extremos, cabendo a cada um de nós, arquitetos, acertar o ponto. E aí não se trata de loteria ou sorte. Nossas escolhas deliberadas afetarão irremediavelmente a vida de muita gente, uma vez que arquitetura, quando realizada, não poderá ser guardada numa gaveta ou posta fora pela janela. Será sempre mais uma graça ou desgraça de nossas cidades.

Marcelo Carvalho Ferraz - é arquiteto. Lecionou na Washington University, e atualmente é professor na Escola da Cidade, em São Paulo

terça-feira, 26 de abril de 2011

A NOSSA INFEDELIDADE COM O RIO CACHOEIRA

A beira do rio Cachoeira constitui parte importante do patrimônio histórico de Joinville, pois conforma um amplo segmento urbano que interliga diversos bairros, do Guanabara ao Boa Vista, passando pelo Bucarein, Centro, Saguaçu, América, Santo Antônio e Distrito Industrial. Ao longo de suas margens o rio oferece diferentes pontos de vista para a cidade. No entanto, o ponto de vista da cidade para o rio é desfocada, abandonando justamente aquele que teve, e ainda terá, um papel histórico fundamental na construção da cidade.

O Rio Cachoeira foi o ponto de chegada e de partida como atracadouro, por onde chegaram os primeiros imigrantes e por onde partia a riqueza aqui produzida. Foi, nos primeiros anos do nascimento da cidade, a principal infraestrutura para a circulação de pessoas e mercadorias. Ademais, configura uma paisagem natural belíssima, compondo-se com a paisagem da história da cidade de Joinville, que teima e não reconhecer a sua importância.

Com o advento da estrada de ferro e as ligações rodoviárias para o Norte, Sul e interior do Estado, o rio deixou de ser necessário como via para o transporte, perdendo interesse econômico que, por consequência, passou a ser desconsiderado pelas pessoas que aqui viveram e vivem.

Desde então, a cidade passou a virar as costas para o Rio Cachoeira transformando-o na latrina da cidade e também a maior de suas “dores de cabeça”, lembrado-o unicamente pelas enchentes ou pela poluição, já que virou vala para todos os tipos de despejos e resíduos.

Joinville, cidade de 160 anos, com mais de 500 mil habitantes e centro regional desde sempre tem um acervo de cultura material e imaterial que se mantém sem a amplitude e visibilidade pública que merece, fazendo com muito destes patrimônios venham a ser esquecidos e, portanto, abandonados.

Se não conseguimos reconhecer o nosso antigo cais do porto como um ponto destacado da história local, é certo que estamos sofrendo de uma contaminação da memória, onde apenas é importante o que é supérfluo, midiático e passageiro. Este mal nos leva ao inexorável esquecimento da dança, do folclore, das festas populares, das manifestações históricas, dos contadores de história, do ruralismos, da gastronomia típica e de tantas outras identidades que vem sendo perdidas.

Nossas raízes passam a ser tênues no imaginário popular, sem os registros que nos identificam e estão sumindo. Mesmo as outras novas formas de emergência da cultura urbana carecem de valorização, onde “lugares” e espaços públicos articulados, integrados e bem cuidados poderiam servir como importantes vetores para resgate e incentivo de todas as expressões da cultura local. No fundo, necessitamos recriar ou resgatar o nosso cais, o porto onde possamos amarrar com segurança as nossas culturas.

Neste ponto destaca-se a importância histórica e simbólica do rio Cachoeira, a localização central de seu leito no espaço urbano conotando importância estratégica para a gestão urbana de Joinville. Interligando importantes bairros da cidade, margeando áreas verdes, áreas onde estão situados setores de população de baixa renda, áreas de comércio central, áreas de patrimônio arquitetônico, áreas industriais e de conecção da malha viária urbana, o rio não deve apenas ser despoluído em sua carga liquida, mas primordialmente transformado no mais importante espaço de uso público para a população local e para os que visitam nossa cidade.

Se devidamente valorizado, o rio pode novamente comandar a vida das relações sociais, econômicas e ser responsável pela reprodução das condições de diferentes grupos sociais. O rio pode ainda ser a fonte de abastecimento do consumo cultural e ambiental urbano além de elemento fundamental na articulação dos vários espaços da cidade, servindo à articulação interna (e externa) do espaço urbano.

Símbolo da existência da cidade, o Rio Cachoeira merece um lugar de destaque no uso público da cidade.

O projeto não necessita ser apenas um capricho da elite dirigente e técnica da cidade para viabilizar uma urbanização e paisagismo das margens. É necessário explorar o efeito de sua escala na paisagem urbana bem como o desenvolvimento histórico que configurou a sociedade local. Preservar e resgatar sua presença no espaço da cidade, apesar dos novos equipamentos e do fortalecimento de sub-centros em direção aos eixos viários, trará uma nova oportunidade de usufruir deste espaço público nobre, ofertando variações inimagináveis de cenários, do ambiente natural ao ambiente histórico, do ambiente construído às novas formas de ocupação do espaço urbano ou pela simples e imprescindível oportunidade de construir uma cidade mais sustentável.

Por fim, embora tenhamos o rio no coração da cidade, é necessário trabalhar em prol de uma educação de inclusão e convivência pública, resgatando sua vitalidade e a sua atratividade, especialmente no tocante ao uso do espaço marginal para uma finalidade pública, ao lazer e à cultura, vencendo as poucas alternativas propostas pelo poder público que parecem alinhadas ou pactuadas com as diversas formas de acumulação interminável do capital.

Tem muitas coisas que me incomodam em Joinville, mas o abandono do Rio Cachoeira é o maior dos atestados de infidelidade para com a minha cidade natal e, portanto, serei impertinente, chato, crítico mas também decisivamente pró-ativo em buscar e propor alternativas que o transforme num motivo de orgulho e alta estima.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

JOINVILLE ESTÁ A VENDA - QUEM DÁ MAIS?

Existe uma técnica muito comum em política de baixo padrão e na imprensa marrom  que consiste em  "criar dificuldade para gerar facilidade".

A história da Lei Macrozoneamento da cidade de Joinville tem uma uma leve brisa de estar neste estágio e, parece que ainda vai dar muito o que falar. Agora dizem por ái que tem gente se colocando como interlocutor de um grande empresário da cidade, sujeito que tem interesse na mudança das macrozonas, especialmente na criação das áreas de transição, porque é claro, adquiriu áreas para ganhar na especulação imobiliária.

Explico - é mais ou menos assim: O sujeito compra hoje uma gleba de terra por R$ 1,50/m2 na atual área rural e, tão logo a lei das zonas de transição seja aprovada, o terreno passa a valer R$ 100,00/m2, no mínimo. Aí ele ganha sem qualquer esforço uma fortuna. Neste processo, os excluídos continuarão a ser mais excluídos e os concentradores de renda serão ainda mais donos da cidade.

Mas não fica só nisso, já tem vereador fazendo lobby dentro da câmara querendo convencer seus coleguinhas de trabalho a “negociar” a lei, possibilitando que algumas zonas de transição sejam aprovadas. Os bastidores dizem que a argumentação está lastreada na questão da UFSC, da GM e outros “motivos mais nobres”, mas o negócio mesmo é atender aos interesses dos mega especuladores. Tudo como vem ocorrendo em Joinville há muitos anos.

Não tenho muita esperança que os nossos edis venham manter sua decisão de congelar as áreas rurais por enquanto, e que o assunto seja mais aprofundado e discutido. Tem muita coisa em jogo nos bastidores e isto vale muito dinheiro. Afinal, estamos em época de campanha política e não tem hora melhor de abocanhar uns trocados, não é?

A novidade está na articulação destas intenções nada republicanas. Mais escolados, os interessados assumem lugares importantes dentro dos conselhos municipais. Ali definem as estratégias, convencem o Poder Público e em seguida colocam “assessores” dentro da Câmara de Vereadores que identificam um ou mais edis que se prestem a este tipo de negócio. Não tem sido muito difícil esta missão pelo que podemos perceber nos últimos tempos! Aí ele, o edil que se presta a este serviço, membro de uma das comissões que trata do assunto em foco fará o papel de convencimento dos coleguinhas, sendo o porta-voz da intenção. Ele próprio se dirá como UM GRANDE NEGOCIADOR DOS INTERESSES DA CIDADE, convenientemente omitindo o seu patrocinador!!!!

Já aconteceu antes, inclusive com os mesmos protagonistas a defender interesses muito específicos e privados. Como somos uma sociedade fraca, sem mobilização, sem propósitos comuns e carentes de posturas mais éticas, veremos mais um episódio da novela: “Como Destruir o Futuro de uma Cidade em troca de Bola.”

domingo, 18 de julho de 2010

NA CALADA DA NOITE...

Na calada da noite uma parte do patrimônio arquitetônico vem sendo demolido sem qualquer ação ou explicação do poder público, principalmente da chamada "elite" cultural de Joinville.

Vão-se nossas raízes arquitetônicas, sem políticas reconhecidas ou apoio oficial por parte da Fundação Cultural de Joinville que hoje só dá atenção às passeatas da diversidade ou, a quem se coloque contrário a elas. 

Isto aqui tá virando, literalmente, num CU de cidade. Desculpem-me pela sinceridade na expressão, mas se o Presidente Lula pode, todos podemos falar palavrões em público.

Exenplo de algumas casas enxaimel destruídas nos últimos dias.

onde: 

Rua Ottokar Doerfel, próximo a entrada dos fundos do Cemitério Municipal.

 Rua Dr João Colin, em frente ao Giassi.
 
 
Rua XV de Novembro, próximo a Rua Aquidaban. Aqui foi demiloda uma autentica casa enxaimel para dar lugar a uma constrçuão com paus de eucaliptos.

  
Mereceríamos, pelo menos, uma expliacão do Conselho Municipal do Patrimônio.