Sérgio Guilherme Gollnick - Textos, opiniões, debates, fotos, curiosidades e tudo mais que tenha haver com o cotidiano, a arquitetura, o urbanismo, as políticas públicas, as tecnologias e demais aspectos relacionados com a vida nas cidades.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO
Quando se atinge um alto grau de educação no trânsito não sõa mais necessárias as placas, semáforos ou dispositivos de segurança.
O TEMPO E A ESPERANÇA
"O presente é a sombra que se move separando o ontem do amanhã.
Nele repousa a esperança."
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
JOINVILLE- UM SONHO
Todo dia inicio minha aventura a partir do novo bonde elétrico, ou o tram como dizem agora, que há pouco foi inaugurado e chega deslizando suave e silenciosamente sobre os trilhos. Embarco e sento-me à beira da ampla janela que me permite desfrutar a viagem. À medida que o tram segue, fico observando, fascinado, as ruas arborizadas descortinando a cidade e o caminhar das pessoas nas amplas e bem arranjadas calçadas.
Brilham meus olhos de urbanista ao ver novamente os bens desenhados e cuidados jardins de flores em cada esquina, em cada rotatória, concorrendo com os jardins particulares ou floreiras à beira das janelas dos prédios residenciais. Vez por outra vejo-me no reflexo dos vidros em fachadas de belos e bem projetados edifícios ou lojas comerciais num constante contraste com a nossa arquitetura mais tradicional e histórica, impecavelmente preservada.
Causa-me especial prazer passar pela Praça da Bandeira. Não deixo de me impressionar com a nova e contemporânea arquitetura do novo teatro municipal, construído no local onde havia aquele terminal de ônibus. Ao lado, posso finalmente rever o antigo Cine-teatro Palácio, recentemente restaurado, transformado num amplo museu e sala de convenções, contrapondo dois momentos da nossa arquitetura e história.
Estamos nos aproximando do Rio Cachoeira, onde volto no tempo a recordar da minha infância quando vejo crianças brincarem na Praça Dario Salles, que agora se transformou num bem planejado espaço multiativo. Fico satisfeito em saber que afinal fizeram os arranjos nos equipamentos, como foi debatido na última reunião comunitária. Resgatar o chafariz foi uma boa idéia e agora ele lança jatos de águas ao vento como se cada um competisse pelo mais belo salto.
Eis que repentinamente sinto meu corpo sendo lançado à esquerda, é o tram fazendo a curva para seguir rumo ao Sul pela margem do Rio Cachoeira. Não posso deixar de lembrar aquele antigo prédio verde que estava ali construído bem ao lado da antiga ponte, ligando o centro a Rua Aubé. Nem parece, mas já faz cinco anos que o demoliram. Melhor assim, a cidade ficou mais ampla e o Cachoeira respira melhor.Olhando as águas do rio percebo uma breve corrida das tanhotinhas que saltam e nadam rapidamente pelas águas esverdeadas vindas da baía, afinal estamos em maré alta, o rio se transforma em algo absolutamente belo.
Desembarco na estação do Complexo de Entretenimento e Cultura do Moinho. Que lugar fantástico! Hoje, tirei o dia para uma leitura na biblioteca central da cidade. Não me canso de vir aqui, escolho um livro dentre os 200 mil do acervo, me dirijo ao terraço para tomar um café, ler e, nas pausas, admirar o verde intenso do Morro do Boa Vista contrastando com o azul do céu.
Ao lançar o olhar em direção ao Bucarein percebo algumas novas torres residenciais sendo construídas, criando uma harmonia singela com o skyline quase plano da zona sul, como se aquele espaço estivesse reservado à capacidade do homem para construir uma arquitetura com beleza, responsabilidade e respeito ao ambiente. Ah, estes novos arquitetos são mais felizes, estão mais ligados a novos conceitos de sustentabilidade e participam ativamente das novas transformações que a cidade vivencia.
Não deixo também de me impressionar com a quantidade de pessoas que embarcam na estação das barcas levando-os ao Boa Vista, Fátima, Espinheiros ou, para São Francisco do Sul. O Camacho estava certo, este rio ainda viria a ser uma hidrovia.
Finalmente, Joinville é um grande centro de atração de turistas. Percebo no semblante que todos estão com um bom astral, fascinados com a qualidade de nossa infra-estrutura, a arborização intensa dos espaços públicos, o nosso transporte público modelar e pelas grandes atrações na cultura, gastronomia e lazer.
Antes de retornar para minha casa, vou à praça de eventos para conferir quais são as atrações deste final de semana. Confesso que fiquei confuso, pois não soube escolher entre as duas peças de teatro, o extenso acervo de filmes no complexo das salas de imagem e som ou, o concerto em homenagem a Mendelson que será apresentada pela Camerata de Laussane no pequeno teatro.
Dirijo-me à estação do tram para iniciar meu retorno e vejo na tela a informação de que dentro de um minuto e vinte segundos ele chegará, aproveito para acertar meu relógio. Incrível a pontualidade e confiabilidade que transporte atingiu. Opa! Chegou o meu tram, parece até que reservei aquele lugar à beira do amplo janelão. Nada disto, aqui se respeita os lugares destinados aos idosos como eu.
Esta na hora de acordar. Talvez amanhã eu volte a sonhar novamente...
Esta na hora de acordar. Talvez amanhã eu volte a sonhar novamente...
terça-feira, 5 de outubro de 2010
HUMILDADE
A Humildade é a virtude que dá o sentimento exato da nossa fraqueza, modéstia, respeito, pobreza, reverência e submissão. Se diz que a humildade é uma virtude humilde, quem se vangloria da sua, mostra simplesmente que lhe falta. Ela torna as virtudes discretas, despercebidas de si mesma. A humildade não é depreciação de si mesmo, não é ignorância com relação ao que somos, mas ao contrário é ter o conhecimento exato do que não somos, sem que a vaidade se manifeste.
E as falsas humildades vem daqueles que se rebaixam ante os outros querendo parecer humildes, porém cheios de ressentimentos, inveja ou ambição. Ter humildade não é signo de fraqueza. Pode-se ser humilde sem se depreciar ou reconhecer os valores de cada um.
A verdadeira humildade, é aquela que o homem tem consciência e possui uma convicção do que ele é, da sua capacidade, da sua força ou da sua fraqueza, compreende a sua inferioridade, reconhece seus limites mas, não sofre por isso, se esforça e trabalha para ser melhor e procura constantemente seu aperfeiçoamento físico, moral e espiritual.
TIRIRICA SOMOS NÓS
O Brasil é um país onde deboche, absurdos, abusos e vantagens se combinam a tal ponto que acabam superando as nossas esperanças. Este país se orgulha por ter eleito como presidente um sujeito que encarna uma caricatura, muito mais do que um lider político, pois ele se auto-define como semi-analfabeto, que tem dificuldades para conjugar um verbo, que se gaba por não ter estudado, que faz graça das desgraças e de tudo que é sério e, que se julga onipotente e onipresente.
Por isto, não entendo toda esta indignação da imprensa, de intelectuais ou de tantos outros cidadãos brasileiros questionando a eleição do Tiririca. É bom lembrar que ele é bem mais autentico ao se vestir de palhaço que é sua profissão fazendo graça da desgraça. Talvez, seja importante destacar que ele está abrigado no mesmo partido do presidente, seu colega de política e, muitas vezes, de profissão. Mas isto não é apenas um hábito do partido do presidente, outros partidos de grande expressão abrigam ladrões, corruptos denunciados, condenados, que perderam mandatos políticos ou que renunciaram para escapar da cassação.As vezes me pergunto qual é o nosso conceito de democracia? Será que estamos forjando as bases de democracia sólida com estas pessoas? Como um partido polítco aceita, apoia e abriga esteriótipos ou personagens cujo curriculo ruboriza qualquer pessoa de caráter, minimamente ética e honesta.
Este é Brasil, onde o povo se distrai com as piadas presidenciais, com o Tiririca e outros tantos personagens que nos embriagam ou embaralham a visão e o bom senso. Aceitamos a densa maquiagem sobre as nossas desgraças morais e sociais, alimentadas por "bolsas família", "IPI zero" ou juros estorsivos, oferecendo a cada extrato social um motivo para a cegueira. Diante de tantos problemas estruturais não se vê indignação, apenas piadas e palhaços, no mais legítimo sistema "panen et circenses".
Nossa propagada pluralidade política, que deveria ser uma base sólida para o exercício da democracia, é forjada numa escola de palhaços e meliantes. Assim, nós é que somos os Tiriricas, fazendo com que as elites e coronéis da política gargalhem a cada eleição.
sábado, 2 de outubro de 2010
SEM ESTRELAS
Desde 1980 venho adquirindo o Guia 4 Rodas, o mais completo e respeitado guia para viagens do Brasil. Na edição de 2011 me chamou a atenção alguns novos atributos ou critérios que os editores levaram em consideração, dos quais destaco a indicação dos hotéis sustentáveis, que seguem as regras do Leadership in Energy and Environmental Design – LEED. Portanto, o turismo e a sustentabilidade hoje estão muito mais associados e, políticas, ações e empreendimentos sustentáveis tem maior reconhecimento e chance de sucesso.
Chamou-me atenção a redução de atrações e destaques do Estado de Santa Catarina. Sequer o tradicional roteiro do nosso litoral veio a ser mencionado entre os 10 sugeridos pelo guia. Foram também inexpressivas as novidades em relação a hotelaria e, perdemos destaques na gastronomia de qualidade. A justificativa foi de que o Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste investiram e agregaram mais valor ao turismo e, por isto, se destacaram. Outra constatação foi de que não houve citação nem destaque a qualquer hotel ou restaurante catarinense. Dentre as 40 cidades mais importantes a serem visitadas, o guia apontou apenas com Florianópolis, Bombinhas e Balneário Camboriú. Também não houve qualquer indicação para as melhores atrações e, por fim, na citação de 290 cidades que são importantes para viajantes como ponto de parada, descanso, eventos profissionais, feiras ou congressos, apareceram 15 cidades de Santa Catarina, sem que conste Joinville, Blumenau, Criciúma, Itajaí, Lages nem Chapecó.
Joinville, a cidade da “Via Gastronômica” não tem um restaurante sequer destacado pela qualidade da gastronomia (indicação da famosa estrela do Guia 4 Rodas). Quanto ao grau de interesse das atrações, Joinville tem 5 citações tidas apenas como “interessantes” (2 museus, o passeio do Barco Príncipe na Baía da Babitonga e, os roteiros da área rural com destaque a estrada Dona Francisca). Salva-nos o Festival de Dança que, ainda assim, é um evento que traz um bom numero de bailarinos com orçamento apertado e poucos turistas.
Ao longo dos 30 anos que utilizo este guia, Joinville vem perdendo atrações e destaque. O resumo da minha leitura é que não temos qualquer política importante voltada ao turismo de bom nível. O Governo do Estado foi ridiculamente ineficaz ao longo dos últimos anos e, a cidade segue pífia e inexpressiva para turismo de eventos.
O turismo representa um setor econômico com altas taxas de crescimento real e potencial. Alguns países emergentes tem a elevadas receitas geradas pelo turismo, mas o Brasil ainda patina neste segmento e, como podemos ver, Santa Catarina anda a passos de tartaruga se comparada a outros estados do país. No Rio Grande do Norte, por exemplo, empresas brasileiras e estrangeiras investem maciçamente na construção de complexos hoteleiros ao longo da sua costa, que é menor do que a de Santa Catarina. Lá, o Estado investiu em infra-estrutura e aeroportos, permitindo ligações diretas entre Natal e as capitais européias. Aqui, estamos perdendo vôos regulares por falta de investimentos e ações concretas.
O turismo praticado sem planejamento social e ecológico, com uma visão imediatista, especulativa ou com motivações unicamente políticas pode causar impactos negativos na sociedade, no meio ambiente e na própria economia. Em Santa Catarina não existe planejamento estratégico para o turismo. A visão ainda está voltada exclusivamente ao turismo de massa, o “veranismo” e as festas de outubro. O primeiro é responsável pela ocupação indiscriminada, destrutiva e especulativa do litoral, comprometendo o meio-ambiente e as paisagens, a própria razão da atração do turista. O segundo está com data de vencimento e necessita de um novo modelo, para não sucumbir a feroz concorrência de outros eventos no Brasil.
O turismo de qualidade e de longo prazo investe em infra-estrutura, pensa de forma sustentável, propões estratégias de desenvolvimento durável que inclui pensar a saúde, o esporte, as ciências, educação e cultura, com a imprescindível aceitação e participação da sociedade.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
O PATERNALISMO CRIATIVO
Domenico De Masi trata, em seu livro O Ócio Criativo, sobre o que você pode esperar do futuro, na vida, na carreira e no mundo para os próximos 20 anos. Ele definiu 10 tendências relativizadas nos 10 mandamentos. Fiz uma apropriação das tendências por ele propostas, olhando para o Brasil nos p´roximos anos, ajustando-as a nossa realidade, a qual me atrevo a fazer as seguintes previsões:
1. Longevidade: Vivemos num país de terceiro mundo que não sai do estado “em desenvolvimento”, uma transitoriedade irritante que me acompanha desde o nascimento. Em 500 anos, nossa cobertura de saneamento básico é de 50%, (considerado como “satisfatório”) e, 78% da população tem acesso a água tratada (dados do Ministério das Cidades). Sinceramente, será difícil aumentar a expectativa de vida para além dos 70 anos. Aids, câncer não os maiores causadores de mortes no Brasil, mas sim o trânsito. Não dispomos de estradas descentes, educação no trânsito nem hospitais equipados. Com a corrupção endêmica na política, o sistema de saúde pública não dará a possibilidades de atingir a meta dos 100 anos de vida preconizada pelo Domenico De Masi.
2. Tecnologia: Somos um país sem cientistas. Os poucos heróis (devem ser também loucos) que teimam em permanecer no país não dispõe de apoio. Nosso desenvolvimento em tecnologias de informática é totalmente incipiente. Assim, seremos dependentes por anos a comprar tecnologia ultrapassada de paises desenvolvidos e, nos restará pouca chance de sermos competitivos ou beneficiários diretos das novas tecnologias. Segundo De Masi, um chip terá o mesmo tamanho que um neurônio e custará 1 centavo. Aqui, 1 centavo será o valor do cérebro. Nossa realidade é que nos faz criativos e muito distantes da intelectualidade repetitiva, pois continuaremos a depender exclusivamente das pessoas e do governo.
3. Trabalho e formação: Trabalho, estudo e tempo livre. A educação o Brasil não é intensa nem permanente e não ocupa boa parte da vida dos brasileiros. 10% dos brasileiros são analfabetos e, por conta do bolsa família, estamos criando uma nova geração de “analfabetos obesos” (frase do Cajuru). 43% de toda a economia é gerada pela informalidade, fazendo com que a concentração de renda e as desigualdades sociais permaneçam intactas por muito tempo. Levaremos uma geração inteira para alterar esta perspectiva, pois é improvável que tenhamos aqui um pacto social para redistribuir a riqueza, o trabalho, o conhecimento e o poder. Nossa criatividade, que é fruto das dificuldades, da burocracia e da corrupção no governo, nos afastará do desenvolvimento pois ela será usada para "matar o tempo". Seguindo o modelo populista do semi-deus Lula, veremos a proliferação do paternalismo público, onde ninguém mais vai querer fazer trabalho braçal, estudar ou trabalhar. Donas de casa e estudantes serão remunerados, assim como os desempregados. Veremos multiplicar as bolsas famílias, bolsas gás, bolsas chopp, seguro desemprego, etc., até que o petróleo do pré-sal acabe.
4. Onipresença: O Estado conseguirá domar a imprensa e, com o futuro Cartão Unificado ligado ao sistema integrado da Receita Federal e Polícia Federal, estaremos sendo monitorados em qualquer lugar, por celular ou Internet. A cada movimento, nos será cobrado impostos para abastecer a imensa máquina pública. A cirurgia plástica virá para resolverá isso – modificaremos o corpo e a fisionomia para fugir do fisco, como fez o Dirceu para não ser reconhecido pela polícia.
5. Tempo livre: Com o exemplo de um sujeito que nunca trabalhou na vida e virou presidente e, com o apoio das bolsas paternalistas que o governo deste presidente criou para o povo, aumentarão as horas de ócio como uma epidemia que terá origem no Nordeste do país. Cresceremos intelectualmente? Resposta: Não! Tenderemos à criatividade ou à dispersão? – Resposta: Não! Prevalecerá a violência ou a harmonia? Resposta: As duas, pois teremos mais gente anestesiada com o paternalismo, assim como serão mais e maiores os consumidores de drogas na mais vigorosas das indústrias - o tráfico, onde bandidos e policiais serão irreconhecíveis. Todos estarão numa boa, desde que paguem os impostos ou aos bandidos, e vice-versa.
6. Androginia: O Brasil será ainda mais andrógino. Serão mulheres vestidas de homens, homens vestidos de mulheres, políticos vestidos de ladrões e ladrões vestidos de políticos. Os santos serão banidos. Portanto, estaremos muito à frente do Novo Mundo imaginado pelo De Masi.
7. Estética: Como a perfeição técnica do photoshop como requisito indispensável a maquiar as imagens dos nossos políticos, o que irá fazer a diferença nas eleições será aquele que aperfeiçoar ainda mais suas qualidades formais. Ou seja, forma será mais importante do que conteúdo. Daí as atividades estéticas vão ser valorizadíssimas – assim como já ocorre hoje com a política no Brasil.
8. Ética: Numa sociedade onde a corrupção é tratada como piada e vantagem, onde não prestar serviços básicos tornou-se rotina, onde tratar o cliente como palhaço é a maior das vantagens competitivas, a ética será o mais alto crime. Apenas os homens sem caráter vencerão. Podemos até dizer que já entramos nesta nova era com muita força.
9. Subjetividade: Segundo De Masi, o que diferenciará profissionalmente uma pessoa da outra serão seus gostos e seu comportamento. As pessoas vão fazer só as coisas pelas quais se apaixonem e só trabalharão em áreas que as motivem. Como já nos falta a motivação, não precisamos ficar inutilmente competindo.
10. Qualidade de vida: As pessoas não aceitarão trabalhos mais do que três meses, caso não estejam no serviço público, onde trabalhar será facultativo. Com a bolsa família, seguro desemprego, 12 meses de licença maternidade para pai e mãe, outras vantagens ainda virão fazendo com que todos os que sobreviverem irão viver bem. Para nós, a preocupação será como viver e não o quanto viver.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
A INDIGNAÇÃO É SAGRADA
Para você cidadão: que foi constrangido ao ser assaltado e não teve a proteção do estado; que passou pela agonia das filas nos hospitais deixando-o com um sentimento de revolta; que ao final do mês de trabalho deixa um terço do seu salário nos cofres públicos sem receber a contrapartida; que trafega nas estradas sem conservação ou que, para trafegar com qualidade, é obrigado a pagar pedágio, mesmo que lhe cobrem o IPVA; que vê a corrupção endêmica neste país onde ladrões ficam impunes por uma justiça relapsa e protelatória de decisões que nos resgatariam a dignidade; que é empreendedor, mas é tratado como sonegador, mesmo que a metade do seu produto vire impostos; que necessita de transporte público digno, mas é tratado pior do que um animal; que é barrado em blitz “caça níquel”, embora o maior perdulário é quem autua; que assiste a máquina pública sendo utilizada para favorecer parentes e amigos; que vê nossas riquezas esgotadas sem qualquer controle do estado; que mora em locais sem saneamento básico ou é vítima da especulação; que fica nas filas, é mal tratado pelos agentes públicos, mesmo se for para pagar seus impostos; que não é respeitado como cidadão.
Pense bem, reflita, escolha com critério um candidato que inspire confiança e que, pela história de vida, possa mudar a sua vida para melhor. Não acredite naqueles que estão há anos no poder mentindo sobre a nossa triste e maquiada realidade. Se não achar um candidato a altura dos seus sonhos, vote nulo. O voto é sagrado e pode ser a expressão da sua indignação.
Pense bem, reflita, escolha com critério um candidato que inspire confiança e que, pela história de vida, possa mudar a sua vida para melhor. Não acredite naqueles que estão há anos no poder mentindo sobre a nossa triste e maquiada realidade. Se não achar um candidato a altura dos seus sonhos, vote nulo. O voto é sagrado e pode ser a expressão da sua indignação.
Numa democracia, o direito à indignação é sagrado.
Sérgio Gollnick
terça-feira, 28 de setembro de 2010
SEMINÁRIO OU OFICINA PARA SOLUÇÕES URBANAS
Em 2007 participei em Curitiba de um Seminário Internacional que tinha como tema a Requalificação da Paisagem Urbana da Área Central de Curitiba. O objetivo proposto e coordenado pela faculade de arquitetura da UNICENP foi o de ampliar as discussões acerca do tema e desenvolver propostas criativas para o centro da cidade, incentivando maior participação dos arquitetos e urbanistas no planejamento de Curitiba.
O Seminário teve um caráter acadêmico, mas pela presença e pelos especialista que ali estiveram, constituiu-se como um evento muito especial, podendo servir para outras cidades de modelo. As atividades do Seminário estruturou-se em:
- ateliês de projeto urbano;
- conferências nacionais e internacionais;
- comunicações.
A participação foi eclética e contou com acadêmicos e profissionais de arquitetura e urbanismo e dirigidos por professores de escolas internacionais convidadas. Nesta edição os diretores de ateliê convidados foram:
- Espanha - Escola Tècnica Superior dArquitectura de Barcelona, ETSAB - UNIVERSIDADE POLITÈCNICA DA CATALUÑA
- França - Ecole Nationale Supérieure dArchitecture et de Paysage, ENSAP - UNIVERSITÈ DE BORDEAUX
- EUA - School of Planning - College of DAAP - UNIVERSITY OF CINCINNATI
- Uruguai - Facultad de Arquitectura FARQ - UNIVERSIDAD DE LA REPÚBLICA URUGUAY
A experiência legou inúmeras propostas para o centro de Curitiba maso destaque foi a participação de profissionais que apresentaram "cases" de intervenções urbanas bem sucedidas.
Fica a idéia para que seja protagonizada em outras cidades, especialmente em Joinville, onde as propostas que tem sido formuladas são sempre de um mesmo grupo que teima em não se relacionar com o público.
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