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quarta-feira, 20 de abril de 2011

DUPLICAÇÃO do EGO


Qual é a obra que Joinville ganhou nos últimos 8 anos a qual podemos dizer que valeu a pena eleger um Governador, que tem esta cidade como curral eleitoral?

Fiquei pensando muito sem achar nada de importante ou significativo. Se achei, foi muito míséria, muito pouco diante da nossa importância.

Alguém poderia citar: A Arena Joinville, aquele campo de futebol com arquibancada pré-moldadas, feio de doer e que anda de mal a pior. Não, esta obra não vale, não está  altura de Joinville. Ganhamos o "Megacentro" Wittich Freitag , na Expoville. Também não, é um galpão metido a besta que até hoje não foi acabado e está longe de ser uma obra que Joinville possa ter orgulho.O Jetbus ou a pretenciosa Hidrovia Joinville - São Francisco do Sul. Negativo, foi um completo fiasco. Muitos superlativos mentirosos e outras tantas promessas ficaram na estrada.

Dia destes perguntaram se a SDR (talvez a maior obar e o o maior cabide de emprego da história de Santa Catarina) já estava funcionando? A resposta foi: Ainda não! Pois bem, alguém está sentindo falta dela?

Eis aqui, para refrescar a memória,  o que que o nosso ex-governador prometeu  numa entrevista ao jornal A Notícia, cujo título foi:

"NÃO SOMOS MAIS A QUINTA RODA DA CARROÇA"

A Notícia – O que Joinville e região podem esperar do seu último ano de governo em termos de investimentos e ações?

LHS – Vamos inaugurar obras importantes, como a pavimentação das estradas Palmeira, no Rio Bonito, e Anaburgo, ligando a Vila Nova e a Rodovia do Arroz com o Distrito Industrial. Assinaremos, com o BNDES, um financiamento de R$ 40 milhões com o Estado, que serão aplicados em obras de melhoria e ampliação do Sistema de Transporte Urbano de Joinville, como o Binário da Vila Nova, o prolongamento da Rua Max Colin, a ligação entre a Marquês de Olinda e a Rodovia do Arroz, o recapeamento asfáltico e modernização dos trechos de paralelepípedo da Albano Schmidt e da Tuiuti. Vamos abrir licitação para ligar o Itaum a Araquari, pelo Rio do Morro; para pavimentar a ligação entre a Vila Nova e o município de Schroeder, pelas Duas Mamas; e para dar acesso pavimentado à Vila do Rio do Júlio. Vamos entregar o acesso pavimentado a Volta Grande, em Rio Negrinho, e uma rodovia nova, entre Garuva e Itapoá, para garantir acesso pavimentado ao Porto de Itapoá, entre tantas outras obras.
 
Afinal, qual é, ou quais foram as obras que Joinville ganhou nestes útimos 8 anos como retribuição aos 14 mandatos aqui garimpados?

Avenida Importante- Nenhuma
Ponte Importante- Nenhuma
Elevado Importante- Nenhum
Teatro - Não
Algum acesso duplicado - Também Não
Despoluição do Rio Cachoeira - Nada
Obra Contra as Cheias - Não
Urbanização - Nada
Habitação - Inexpressivo
Hospital - Nem pensar

Talvez eu tenha esquecido alguma obra realizada,  prometida ou "ventilada", mas é difícl. Se existe, é inexpressiva, insignificante ante a grandiosidade que Joinville merece.

A verdade é que ao passar por Florianópolis, onde despejamos o suor do nosso trabalho através dos nossos impostos, percebo que, de fato,  não somos a "quinta roda da carroça". Somos os jumentos que tracionam e fazem a carroça andar, levando como carga a capital, que passeia altiva com o nosso incomensurável esforço.

Nestes 8 anos ficamos assistindo nossa capital receber obras estruturais importantes como avenidas, viadutos, etc. O novo governo, que foi tramado pelo nosso ex-governador em parceria com a hábil ratazana que chefia nossa oligarquias (aquels que o ex-governador iria estirpar do poder), nos ridicularizou com o plano de investimentos divulgado a poucos dias. Certamente, voltamos a ser tratados com a mesma forma discriminatória de sempre e, nossas demandas irão apenas aumentar.

Certo é que a maior obra do ex-governador, nos 8 anos que passaram, foi a duplicação do seu ego.

sábado, 2 de outubro de 2010

SEM ESTRELAS


Desde 1980 venho adquirindo o Guia 4 Rodas, o mais completo e respeitado guia para viagens do Brasil. Na edição de 2011 me chamou a atenção alguns novos atributos ou critérios que os editores levaram em consideração, dos quais destaco a indicação dos hotéis sustentáveis, que seguem as regras do Leadership in Energy and Environmental Design – LEED. Portanto, o turismo e a sustentabilidade hoje estão muito mais associados e, políticas, ações e empreendimentos sustentáveis tem maior reconhecimento e chance de sucesso.

Chamou-me atenção a redução de atrações e destaques do Estado de Santa Catarina. Sequer o tradicional roteiro do nosso litoral veio a ser mencionado entre os 10 sugeridos pelo guia. Foram também inexpressivas as novidades em relação a hotelaria e, perdemos destaques na gastronomia de qualidade. A justificativa foi de que o Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste investiram e agregaram mais valor ao turismo e, por isto, se destacaram. Outra constatação foi de que não houve citação nem destaque a qualquer hotel ou restaurante catarinense. Dentre as 40 cidades mais importantes a serem visitadas, o guia apontou apenas com Florianópolis, Bombinhas e Balneário Camboriú. Também não houve qualquer indicação para as melhores atrações e, por fim, na citação de 290 cidades que são importantes para viajantes como ponto de parada, descanso, eventos profissionais, feiras ou congressos, apareceram 15 cidades de Santa Catarina, sem que conste Joinville, Blumenau, Criciúma, Itajaí, Lages nem Chapecó.

Joinville, a cidade da “Via Gastronômica” não tem um restaurante sequer destacado pela qualidade da gastronomia (indicação da famosa estrela do Guia 4 Rodas). Quanto ao grau de interesse das atrações, Joinville tem 5 citações tidas apenas como “interessantes” (2 museus, o passeio do Barco Príncipe na Baía da Babitonga e, os roteiros da área rural com destaque a estrada Dona Francisca). Salva-nos o Festival de Dança que, ainda assim, é um evento que traz um bom numero de bailarinos com orçamento apertado e poucos turistas.

Ao longo dos 30 anos que utilizo este guia, Joinville vem perdendo atrações e destaque. O resumo da minha leitura é que não temos qualquer política importante voltada ao turismo de bom nível. O Governo do Estado foi ridiculamente ineficaz ao longo dos últimos anos e, a cidade segue pífia e inexpressiva para turismo de eventos.

O turismo representa um setor econômico com altas taxas de crescimento real e potencial. Alguns países emergentes tem a elevadas receitas geradas pelo turismo, mas o Brasil ainda patina neste segmento e, como podemos ver, Santa Catarina anda a passos de tartaruga se comparada a outros estados do país. No Rio Grande do Norte, por exemplo, empresas brasileiras e estrangeiras investem maciçamente na construção de complexos hoteleiros ao longo da sua costa, que é menor do que a de Santa Catarina. Lá, o Estado investiu em infra-estrutura e aeroportos, permitindo ligações diretas entre Natal e as capitais européias. Aqui, estamos perdendo vôos regulares por falta de investimentos e ações concretas.

O turismo praticado sem planejamento social e ecológico, com uma visão imediatista, especulativa ou com motivações unicamente políticas pode causar impactos negativos na sociedade, no meio ambiente e na própria economia. Em Santa Catarina não existe planejamento estratégico para o turismo. A visão ainda está voltada exclusivamente ao turismo de massa, o “veranismo” e as festas de outubro. O primeiro é responsável pela ocupação indiscriminada, destrutiva e especulativa do litoral, comprometendo o meio-ambiente e as paisagens, a própria razão da atração do turista. O segundo está com data de vencimento e necessita de um novo modelo, para não sucumbir a feroz concorrência de outros eventos no Brasil.

O turismo de qualidade e de longo prazo investe em infra-estrutura, pensa de forma sustentável, propões estratégias de desenvolvimento durável que inclui pensar a saúde, o esporte, as ciências, educação e cultura, com a imprescindível aceitação e participação da sociedade.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

DESCENTRALIZAÇÃO PARA DESARTICULAÇÃO DO PODER REGIONAL

Santa Catarina é um estado, juntamente com Minas Gerais, marcado pela tradição associativista. O Estado apresenta alguns índices de desenvolvimento humano e econômico expressivos, mas também apresenta disparidades regionais que o aproximam das regiões mais paupérrimas do país expondo uma ferida de fortes contradições regionais, reforçadas por diferenças culturais. Estas desigualdades geram, já há muitos anos, uma forte mobilização de atores regionais em busca de planos, projetos e do estabelecimento de instâncias de gestão administrativas regionais fortes que permitam um equilíbrio nas decisões para o desenvolvimento do Estado. Neste quadro, quando surge o embate político, surge um efervescente movimento de articulações que, não raramente, entram em choque, cujos resultados pouco avançam no sentido do equilíbrio sócio-econômico desejado.

Das iniciativas públicas, a mais recente foi a criação das Secretarias de Desenvolvimento Regional. As SDRs são uma espécie de unidades federativas que desarticularam as Associações de Municípios e as Regiões Metropolitanas dando lugar a estruturas administrativas estaduais que, de forma visível, serviram a privilegiar acomodações de parceiros partidários, comandada pelo governador do estado, servindo como um grande cabide de empregos. O ideário da descentralização para o desenvolvimento surtiu efeito como resolução das diferenças político-partidária acomodadas no poder, mas ficou muito distante de uma prática que viabilizasse a aproximação entre governo e sociedade. Porque? Por medo de perda de poder não se avançou ba transferência ao poder local, expressa na dificuldade em transferir realmente competências para este nível.


A formação dos Conselhos de Desenvolvimento Regional não tiveram participação da sociedade na sua formação e, a eles foram delegadas quase que unicamente as decisões para as prioridades das obras de infra-estruturas. Um avanço em relação às instancias de decisão anterior, mas sem resultado prático como planejamento integrado vinculado às estratégias em nível estadual. Enfim, não foram privilegiadas as instâncias de participação e debates de temas estratégicos com a sociedade, pois esta ação poderia gerar riscos nas articulações político-partidárias. Então, deu-se privilégio aos interesses das lideranças regionais vinculadas a tríplice aliança, e a criação das SDRs serviram como um eficientemente mecanismo para o esfriamento temporário de antagonismos. Para as pretensões do governador, no âmbito político, as SDRs surtiram o efeito desejado de anestesiar anseios e contrariedades.
A bem da verdade, nestes últimos oito anos, Santa Catarina pouco avançou na redução das desigualdades regionais, ainda estão muito presentes. O modelo de descentralização não foi de poder, apenas atenuou as demandas numa ótica muito inteligente de desarticulação das forças políticas da sociedade.

Devemos que avançar, não podemos ficar esperando modelos acabados, não vale a pena discutir mapas ou nomes para compor um quadro de agentes políticos ou de acomodação dos descontentes, temos é que discutir conteúdos.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

SC - A NOVA FACE DA OLIGARQUIA

 “Oligarquia (do grego ολιγαρχία, de oligoi, poucos, e arche, governo) significa, literalmente, governo de poucos. No entanto, como aristocracia significa, também, governo de poucos – porém, os melhores -, tem-se, por oligarquia, o governo de poucos em benefício próprio, com amparo na riqueza pecuniária."

Quem bradou contra as oligarquias em 2002 poderia estar junto em 2006 e 2010?

Em 2002 o então prefeito de Joinville Luiz Henrique (PMDB) fez uma campanha massiva contra as oligarquias de Santa Catarina. Vociferou contra Jorge Konder Bornhausen, o mais legítimo representante das oligarquias que se perenizavam no poder, prometendo eliminar este grupo do poder. Naquela eleição, tinha, teve e ainda tem no ex-governador Esperidião Amim seu maior inimigo político, muito mais por uma questão de currículo, do que por diferenças ideológicas. Mas não se engane, isto só permanece por causa de um superego, talvez até uma doença, que o faz pactuar com o quem quer que seja para garantir o poder. Se em algum momento Amim vier a ser importante aliado para sua saga pelo poder, ele será "companheiro" como é hoje Jorge Bornhausen

Um breve histórico recente nos mostra que isto é absolutamente verdade. Em 2002 LHS subiu no palanque dos petistas, apoiando Lula no segundo turno e, acabou vencendo Esperidião Amim com uma diferença de apenas 20 mil votos. Em 2004, o panorama foi outro, Jorge Bornhausen (o representante das oligarquias) já estava postado como o mais importante aliado de Luiz Henrique, com quem dividiu o palanque e ainda trouxe Leonel Pavan para vice, apoiando o PSBD de Fernando Henrique, Alckimin e Serra para presidência. Chegamos a 2010 e Luiz Henrique deslocou o PMDB catarinense para a direita, aliando-se definitivamente às oligarquias de primeira hora, o DEM de Bornhausen, postando-se também no apoio à candidatura neoliberal de Serra para o governo federal, como uma alternativa, imaginam alguns, de ocupar algum posto de destaque, já que o PT não lhe abriria esta alternativa.

Em Santa Catarina, as vitórias do PMDB históricamente se deram com o apoio dos partidos de esquerda e do chamado campo democrático-popular. Até 2002, este quadro evidenciou a necessidade de derrota das forças políticas conservadoras oligárquicas, capitaneadas pelo senador catarinense Jorge Bornhausen (DEM) e a nova direita neoliberal comandada pelo Senador Leonel Pavan (PSDB). Não seria tão simples assim para se manter no poder. Luiz Henrique rasgou discursos, traiu eleitores e partidários, desmontou o PMDB em várias cidades, dentre as quais Joinville, seu mais importante reduto, para garantir-se o poder.

Escancara um perfil próprio, demonstrando pensar de forma obsessiva em nunca perder uma eleição, apesar de já ter amargado a derrota para Wittich Freitag. Para isso trabalha incansavelmente nos bastidores, em pactos que nunca serão expostos para os seus correligionários de partido. Aquilo que ele chama de poli-aliança é apenas uma artifício para defenestrar seus inimigos dentro do próprio partido, garantindo-lhe uma vaga no senado, ignorando a história do PMDB em Santa Catarina.

O saudoso ex-prefeito de Joinville e ex-governador de Santa Catarina, Pedro Ivo CAMPOS, se ainda vivo, jamais concordaria com este rumo.  O PMDB de Santa Catarina morreu neste último final de semana.