sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

POR UM CINTURÃO VERDE*


 
O Cinturão Verde de Joinville sofre uma intensa pressão para ocupação urbana por conta de três processo: O primeiro é a falta de políticas públicas para assistência, apoio e ações que desenvolvam uma agricultura e pecuária  familiar com a valorização e apoio a agricultura orgânica, manutenção ou incentivo às culturas que necessitam do solo rural numa região que deixou de ser objeto de interesse dos governos municiais neste  século; o segundo processo é o da invasão das áreas rurais e áreas de preservação por diversos métodos e formas, todos protagonizados pela falta de planejamento, fiscalização ou políticas públicas que privilegiem o desenvolvimento sustentável e equilibrado do território. Do Quiriri ao Jativoca, do Piraí ao Jarivatuba, do Morro do Amaral a Vigorelli e, do Cubatão ao Rio Bonito, percebem-se ocupações irregulares e fortes indícios de ilegalidades praticadas por grileiros e especuladores; o terceiro elemento que impacta sobre o Cinturão Verde é a pressão da conurbação exercida pelos municípios vizinhos, em especial ao Sul da cidade.

Este processo vem formando uma mancha contínua e em expansão constante e desordenada de descaracterização de um território típico que já foi importante produtor de arroz, horticultura, pecuária leiteira (Joinville foi até a década de 70 o maior produtor de leite de SC), banana, cana de açúcar, milho e outros produtos típicos da agricultura familiar de pequenas propriedades.

Outro grande problema é que a invasão do Cinturão Verde está sendo protagonizada sobre áreas de risco, ditas baratas, sujeitas à inundações ou que se caracterizam como de preservação permanente.

Cerca de 700 mil habitantes vivem entre e no entorno do Cinturão Verde de Joinville que é uma importante reserva territorial para o desenvolvimento sustentável do Município e da região, visto que alguns municípios tem praticado políticas de ocupação do território sem qualquer controle, destruindo a agricultura para dar lugar a especulação imobiliária, a implantação de empreendimentos industriais, destituídos de planos ou ações de compensação e mitigação. É como uma “corrida do ouro” que busca o Eldorado e deixa um extenso rastro de destruição e passivos que serão, ao final, pagos pela sociedade de diversas formas.

A pressão sobre o território do maior centro industrial de Santa Catarina, responsável por quase 25 % do PIB catarinense, fez crescer ao longos dos anos, esta mancha que avança em ondas mais ou menos concêntricas, ocupando, nas suas periferias, os espaços que oferecem menor resistência ao crescimento, comprometendo a qualidade do solo, da água e do ar e impactando em sérios riscos à população que ali se instala.

O “Cinturão Verde de Joinville,  é também um entorno vegetal razoavelmente preservado que sintetiza uma rica cultura e história. É, em parte, integrante da Reserva de Biosfera da Mata Atlântica, mas com identidade própria, dadas as suas peculiaridades do entorno urbanizado e antropizado. Fazendo parte desta área incluem-se rios importantes como o Cubatão, Piraí e Palmital que são mananciais fundamentais de água e, a complexa e importante área ambiental que compõe a Lagoa do Saguaçu e Baia da Babitonga.  Estas áreas ambientais são ponto vital nas trocas gasosas entre o “organismo urbano” - com seus domos de poluição - e as já referidas áreas verdes do Cinturão.

O Cinturão Verde de Joinville está atualmente sob uma jurisdição de áreas rurais não urbanizáveis e portanto sem a possibilidade de ocupação extensiva para fins de urbanização de qualquer tipo. Dispõe de inúmeros mananciais e contém riquíssimo remanescente de Mata Atlântica ainda preservados, com fauna e flora diversificados, mesmo estando poucos quilômetros do centro  da cidade. Os mananciais do Cubatão e Piraí são responsáveis pelo abastecimento de água, sendo a sua preservação de importância e relevância não só municipal como regional, dada a quantidade de pessoas a que serve. É necessário frisar dizer que o planejamento da ocupação racional e sustentável nas áreas do Cinturão Verde é condição básica para a qualidade de vida dos habitantes de Joinville e, essencial para a preservação da fauna e flora locais.

As diretrizes da UNESCO para a Reserva da Biosfera falam em desenvolvimento de usos e práticas sociais sustentáveis. Conseqüentemente,  torna-se necessário um planejamento de uso, de ordenamento e de implantação de infraestrutura adequada à prossecução dessas metas, bem como sua inerente manutenção e recuperação onde já se encontra degradada.

Se existem grande empreendimentos que desejam se instalar em Joinville, poderia se imaginar políticas de ocupação do solo urbano, baseadas nos instrumentos da política urbana sugeridos no Estatuto das Cidades e no Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentável de Joinville,  que proporcione, ao mesmo tempo, uma redução na margem especulativa dos terrenos urbanos com ações de compensação e mitigação em áreas de interesse a preservação no Cinturão Verde.  Existem muitos exemplos a serem utilizados que lograram êxito e podem ser seguidos, fazendo um corte no congelamento de ideias e propostas que tenham como meta o desenvolvimento sustentável.

O Cinturão Verde de Joinville possui também um vasto acervo de patrimônio histórico arquitetônico e natural que a ser bem aproveitado poderá mudar, ou quem sabe manter, para sempre a sua vocação. No entanto, poucos lhe reconhecem ou desejam este reconhecimento, nem mesmo como uma identidade própria da cidade.

Rogério Ruschel diz: “As comunidades, assim como as pessoas e empresas, têm “personalidade” e imagem. Personalidade é o conjunto de características do objeto e a imagem reflete a percepção de terceiros desta personalidade. O América, o Espinheiros e a Bahia, por exemplo, têm “personalidades” próprias e imagens definidas. O Jardim Paraíso e a Zâmbia têm “personalidades” próprias, mas a imagem pode ser difusa.

Aqui eu opino: antes de querer destruir identidades como pretendem as instituições ligadas a indústria, à construção civil e aos loteadores e especuladores, melhor seria reforça-las, reconhece-las buscando valorizá-las e fazer que sua imagem deixe de ser difusa, pois uma imagem positiva agrega valor aos locais e precisa ser construída a partir de uma personalidade verdadeira, não como querem aqueles que executam a pressão especulativa para ocupar territórios ditos “baratos”.

Quem visitou ou conhece Os arrozais da Vila Nova, os riachos afluentes do Piraí, os manguezais, as margens do Rio Cubatão, os caminhos que envolvem a Estrada da Ilha, do Sul,  Hanaburgo, Morro do Amaral e tantos outras, sabe que essa personalidade existe e é verdadeira. Quem acessar o Google Earth e pairar por cima do Cinturão Verde de Joinville adjacente a Oeste, ao Leste ao Sul e Norte da cidade, não tem como não ver que essa identidade existe.

Então, ao invés de tornar urbanas, através das chamadas “Áreas de Transição”, aquilo que é rural e ocupar estes territórios com industriais ou mal planejados condomínios, Joinville tem uma oportunidade única para, de uma vez só, resolverem vários problemas:

1) executar as diretrizes que suscitam a sustentabilidade  expostas claramente no Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentável, privilegiando este desenvolvimento sustentável integrando as políticas de desenvolvimento dos vários municípios com uma supervisão de um conselho intermunicipal;
2) criar uma imagem sólida no Cinturão Verde de apoio a agricultura orgânica e familiar, apoio a novas atividades ligadas a ruralismo, ao turismo histórico e natural que se beneficiará com o fluxo de visitantes, para usufruto das populações locais, estimulando o turismo interno;
3) criar um mercado de trabalho associado a essas atividades que beneficiará uma região carente de emprego;
4) preservar os recursos naturais do Cinturão Verde de Joinville, compromisso assumido na aprovação do Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentável;
5) estabelecer uma política de adensamento do território urbano atual para maximizar e otimizar a utilização da infraestrutura instalada, reduzindo o custo de manutenção da cidade;
6) utilizar os instrumentos da politica urbana como a Preenpção e a Outorga Onerosa como mecanismos de regulação do valor do território e compensações aos passivos gerados pela urbanização.

 Só nos falta vontade política, nada mais.
 

(*) Texto adaptado da publicação “Desenvolvimento Urbano Sustentável – Uma proposta para o Cinturão Verde” – Ecohabitar.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

É ESTA A IDEIA????? EU PASSO!

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POR QUE O kENNEDY PODE NÃO SER O FUTURO PREFEITO?


A possibilidade de que Kennedy seja o próximo prefeito de Joinville ainda é apenas uma possibilidade. Não porque ele seja a melhor opção. A ideia de que ele é um irresponsável, sem nenhum padrinho atemoriza muitos, quem é o louco que vai votar nele? Mas sua trajetória não é fruto absoluto de uma dádiva divina. 

Alguns não gostam de orações para elevar o espírito das pessoas. São autossuficientes, soberbos o suficiente para não chamar Deus e pedir ajuda, até que o “caldo engrosse”. Ora, religião é uma praga espalhada na sociedade que corrompe a cabeça das pessoas mais “burras”. 

Alguns segmentos se acostumaram a dar pouco para receber muito, enquanto o eleitor, aquele ignorante iletrado, teima em dar muito e receber pouco. Alguns grupos querem controle sobre o poder político, não se importam com a desordem, pobreza, os excluídos. Eles não são importantes. Importante é aquele que mantém o statusquo e as resenhas das socialytes. Isto não é “politicagem”, chamam de “competência”.

Entre as muitas críticas que o candidato Kennedy recebe no 2º. turno, (no primeiro turno ele foi ignorado) pelos afortunados que se dividiram entre outras opções, são os questionamentos à sua capacidade de trabalho e a sua competência como gestor , sabendo que para este grupo, ser empresário é estar a um passo do paraíso ou da canonização. 

Simples dedução, se a maioria do não é empresário, então ela é “burra”, “ignorante”, não sabe escolher, não sabem considerar virtudes ou pré-requisitos. Estes escolhem qualquer um, afinal este é o espólio que receberam nos últimos ocupantes da Prefeitura. Se parece racista esta afirmação, deixo claro que ela não é minha. 

E os funcionários públicos? Detestam gestores, gostam de demagogos, já se acostumaram a eles nos últimos 5 mandatos. Os inteligentes vão ser os que receberão um dos 900 cargos comissionados para sangue sugas, espólio dos antecessores. Funcionário público, este aproveitador do erário fica a dormir em seu posto, é outro “ignorante”, não vai votar em quem não pode lhe tirar seu lugar conquistado por concurso, ganhando salários pífios e o ônus da inoperância e má gestão dos políticos apadrinhados. 

Há os eleitores que vendem o seu voto por cestas básicas, carradas de barro, emprego de terceiro escalão ou qualquer tipo de benefício semelhante. Outro espólio criado por quem passou. O povo é sábio, cobra nas eleições o que não ganhou nos quatro anos que passaram. 

E o processo eleitoral? Um cidadão que tem mais renda, mora no centro, tem privilégio de desfrutar da cidade, tem plano de saúde em hospital privado tem seu voto igual ao de um ”ignorante”? Que absurdo! O voto deveria valer três vezes o de um ignorante. Se for empresário, deve valer 10 vezes mais. Vejam, os cidadãos privilegiados são mais inteligentes, porque alguém, não sabemos quem, criou este país desigual.

Parece óbvio que os eleitores que votaram no Kennedy são incultos, analfabetos, não sabem distinguir o bom do ruim, afinal nem são empresários! Não podem ter o mesmo valor no voto. Devia valer meio!

“Ignorantes” não frequentaram a universidade, ensino secundário, devem trabalhar e se sustentar . Se estudar vai passar fome e sono. São ignorantes e pronto! Quem ocupou as universidades públicas e gratuitas foram os inteligentes, deixando aos menos afortunados à exclusão da oportunidade para “subir na vida”. Absurdo ver este tal de Joaquim Barbosa chegar lá. Para alguns os “ignorantes” são igualados ao “porcos”, só ficam a grunir.

Há quem acredita que o caminho para o paraíso são as salas climatizadas, olhando para baixo a ver os que constroem o país, a suar, sem que haja qualquer sentimento de culpa ou compromisso para dividir, para equilibrar. Dispõe-se a comprar a consciência e, é mais fácil ganhar ou comparar de quem tem fome. Há os que tem fome por comida, há os que tem fome pelo poder por dinheiro.

As últimas vezes que os candidatos geraram esperanças no eleitorado e não cumpriram, deixando um vazio de carências. Não elevaram os índices sociais, mas elevaram a sua soberba e, como troco, angariaram derrotas seguidas. O troco veio, justamente dos “ignorantes”. 

Triste esta situação em que o eleitor não tem o poder de selecionar “o cara”, para ser o candidato, e tem sempre como opção algum tirado do bolso na última hora como a grande solução para todos os problemas. Não é fácil a escolha do eleitor, este que decide e é sempre, ao final, o grande responsável pelas más escolhas. 

É incrível que o eleitor, trabalhador que sofre nas filas dos hospitais, no aperto do ônibus, no custo da passagem, na imobilidade das ruas, fica a ouvir as cantilenas de tantos que já passaram, de alguns que nunca fizeram e, permanece nesta insistente burrice de escolher errado. 

Eleitor não pode ser pobre, não pode sonhar, não pode rezar, não pode ter fé, não pode estudar, não pode ter saúde, não pode reclamar. Eleitor deve ficar em casa e pronto! Deixa que os inteligentes decidem tudo! 

Este quadro não é obra dos que produzem as tintas, as molduras e as telas, que as carregam de um lado para outro e sequer tem oportunidade de contemplá-lo. Este quadro é obra de quem a pintou

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

ELEIÇÃO À BAIANA


Um amigo meu, baiano "arretado da pôrra", que é lobista e coringa político pelas terras nordestinas, disse-me certa vez que na Bahia a eleição é calculada da seguinte forma: Para ser eleito lá, caso o político candidato precise de 10 mil votos, ele multiplica cada "cabeça" (eleitor) por R$ 100,00 e, então: 
10.000 "cabeças" (eleitores) x R$ 100,00/cabeça = R$ 1.000.000,000 - UM MILHÃO. 
Destes 1 milhão, 500 mil vai para a campanha e, os outros 500 mil vai para o "fundo de emergência", caso o candidato não se eleja. 
Pois bem, aqui em Joinville tivemos, no primeiro turno desta eleição de 2012, campanhas "à baiana". Alguns candidatos gastaram muito dinheiro, mas muito dinheiro mesmo, para tentarem se eleger, alguns mais até do que se investe na Bahia. 
Teve candidato a vereador cuja companha custou de R$ 150,00 a R$ 250,00 por "cabeça". A maioria deles morreu na praia, ou porque subestimou a inteligência do eleitor, pensando serem eles baianos, ou porque gastaram mas não pagaram a conta. 
Nossa semelhança com a Bahia é estar no Nordeste, de Santa Catarina. Até temos nosso coronel local, mas o povo já mostrou que está ficando cansado do cabresto.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

SOBRE MOBILIDADE SUSTENTÁVEL


Urbanistas e cientistas sociais afirmam que a mobilidade é um dos fenômenos mais importantes da sociedade contemporânea. Na medida em que a humanidade foi se urbanizando, ocupando territórios, a mobilidade passou a ser um elemento fundamental na dinâmica demográfica, no desenvolvimento econômico, congregando fenômenos imprescindíveis para compreender as transformações no mundo atual.  Acessar serviços ou bens ocupa hoje posição chave no processo de urbanização e, o modo como pessoas podem ou escolhem para se deslocar afeta diretamente a qualidade de vida urbana.

Os deslocamentos pendulares, espaciais de curta duração ou em grandes distâncias refletem impactos cada vez mais significativos na dinâmica socioespacial envolvendo muitos fatores e processos distintos que estão na base estrutural do sistema produtivo e no cotidiano dos cidadãos, englobando o sistema de transportes (de pessoas e mercadorias), a gestão pública do território, o desenho urbano, as interações espaciais e as dinâmicas demográficas específicas (estrutura familiar, migração, ciclo vital). 

Então, quais são os grandes desafios que devemos enfrentar na mobilidade urbana?

Joinville é uma cidade com um nível elevado de acumulação e concentração de atividades econômicas sobre complexas estruturas espaciais urbanas, muitas sem conexões, que deveriam estar suportadas por eficientes sistemas de transporte. Na medida em que a cidade cresce, maior é a complexidade e o custo das soluções assim como o potencial para que apareçam rupturas.

O primeiro passo para achar soluções é reconhecer nossas fragilidades, passando por um processo de pesquisa, estudo, planejamento e debate sobre o futuro que desejamos. Sem estas bases reconhecidas deixamos de praticar soluções para sistemas de transporte eficientes à livre circulação de pessoas e bens, essencial para a prosperidade econômica e melhoria da qualidade de vida. Passada a primeira década deste século, não dispomos de um plano de mobilidade urbana, instrumento fundamental para a construção daquilo que hoje chamam de “Cidade Inteligente”. Ficamos então à deriva, sem soluções eficazes, senão um rosário de promessas não cumpridas.

Hoje vivenciamos a apropriação integral do sistema viário pelo automóvel em detrimento de sistemas de transporte de massa, coletivos e eficientes. Os espaços de uso público, especialmente os passeios, são territórios órfãos sujeitos aos mal-tratos e as inadequadas condições de mobilidade e acessibilidade urbana, que também se constituem em barreiras efetivas para inclusão social. A cidade há muito não recebe investimentos estruturantes e navega num “dolce far ninte” a espera do milagre.

Nos raros debates observo a ausência de conhecimento, informação, transparência sobre o tema, motivo que protela soluções para cada 4 anos, dando a impressão que ninguém está disposto a assumir compromissos, que devem ser mútos (governo e sociedade). 

O tema é vasto, trata de economia, meio ambiente, saúde, educação, tecnologia, etc, mas existem alguns tópicos para abordar a mobilidade urbana aos quais não devemos fugir:

·        Uso do solo – a questão da mobilidade não pode ser fragmentada, somente sobre a circulação de veículos, deve ter como foco as pessoas, à organização territorial e à sustentabilidade. O conceito de mobilidade se apoia na integração do planejamento do uso do solo com o dos transportes;

·        A transferência modal e a intermodalidade – Seja para pessoas ou mercadorias, a possibilidade de realizar transferências modais pode ser uma saída para a mobilidade urbana. Por exemplo: o parqueamento (usuários dos automóveis para transporte coletivos em áreas periféricas ao centro); o modo cicloviário com o sistema de transporte coletivo; diversas modais integradas à modais de maior capacidade, etc. No transporte de mercadorias, o fracionamentos e transbordos que facilitem a logística de distribuição, reduzindo congestionamentos e o custo dos insumos.

·        O transporte urbano - o transporte público, não motorizado ou sustentável deve ter preferncia sobre o transporte motorizado individual. A postergação do plano de mobilidade retém novas formas de operação para os sistemas coletivos nos colocando em desvantagem. Os automóveis tomam as ruas e, o transporte coletivo perde importância. Necessitamos de corredores exclusivos, rede cicloviária, felxibilização nos transbordos, modernização dos equipamentos públicos, veículos de transporte voltados às pessoas, que devem ser tratadas como “clientes”, num serviço público que é essencial e vital para a inclusão social e para o desenvolvimento econômico.

·        Inovação e Sustentabilidade - as soluções de transporte devem buscar novas tecnologias voltadas ao homem, modos mais limpos, mais silenciosos e eficazes, de melhor coesão e de resposta às rápidas mudanças demográficas.

·        Conectividade - A efetiva integração de diferentes redes da cadeia logística de abastecimento e dos transportes de pessoas é essencial para que haja uma mobilidade eficiente e sustentável.

Por fim, os desafios da mobilidade urbana não se resolverão apenas no âmbito técnico. O conflito de interesses é inevitável, seja na disputa do orçamento público, na decisão de localização das atividades na cidade, no uso da propriedade urbana ou na concessão dos serviços públicos. Sendo assim, é necessário o fortalecimento e aperfeiçoamento das instituições democráticas, interlocução política, a efetiva participação social na formulação, acompanhamento e avaliação das políticas públicas para a mobilidade.

Texto publicado no Jornal A Notícia em 22 de julho de 2012

quarta-feira, 25 de abril de 2012

DESTINO GARUVA

A MÁSCARA CAIU


A Audiência Pública realizada na noite do dia 24 de abril na Estrada da Ilha mostrou uma face que não é, a bem da verdade, uma surpresa. Como diz o ditado “a mascara caiu”.

Ao abrir os trabalhos, o presidente da mesa, vereador Lauro Kafelds deu a palavra aos técnicos da Câmara para explicar o projeto da PLC 13/2012 que visa transformar a Estrada da Ilha numa androgenia urbana, meio rural meio urbana, com o nome de Área Rural de Expansão Urbana.

Pois bem, já era conhecida a intenção da lei e talvez de outras intenções mais veladas, na sequencia surgem as apresentações de uma proposta para a criação de condomínios de residências, numa versão bem urbana, com os lotes de 600 m2 de área privativa e, segundo os empreendedores, mais 600 m2 de áreas comuns, somando 1.200 m2 de porção ideal. Portanto, ficou claro que o desejo não é de um a área de amortecimento nem mesmo de transição, a intenção é transformar a Estrada da Ilha numa área urbana, como já é o “resto” (expressão que pode ser adotada como a visão ali colocada pelos empreendedores) da cidade.

Foram duas apresentações de representantes do Sr. Anagê, ali presente, que somaram 42 minutos. No momento da abertura, nas inscrições, solicitei o tempo para uma apresentação de 15 minutos sobre os impactos das mudanças e dos cuidados que devem ser tomados para que não se reproduza ali as mazelas da cidade já existente.

No decorrer das falas dos presentes foi me concedida a palavra, porém, sem direito a apresentação, pois conforme do vereador presidente da mesa, não haveria tempo para tal.  Acatei a determinação, em respeito às normas e as pessoas que ali estavam presentes. A propósito, minha apresentação, que cuidadosamente elaborei, foi estruturada sobre as diretrizes do Plano Diretor, sobre conceitos de sustentabilidade, sobre uma avaliação das áreas de risco existentes em Joinville, sobre uma falsa pressão por lotes no Distrito Industrial, sobre a especulação da terra como maior instrumento de exclusão social, e sobre algumas prioridades desconsideradas no projeto de lei.

Ao não dispor do necessário tempo para a apresentação, usei da palavra para fazer algumas considerações, obviamente prejudicadas pela falta das informações e imagens que selecionei para minha apresentação.

Conclui minhas considerações e, para surpresa minha e, creio para surpresa geral, surge o Sr. Anagê com uma nova apresentação de 30 minutos, autorizada pelo verador Kafelds versando sobre “desenvolvimento sustentável” no parcelamento do solo rural. Não pesa aqui nenhuma contrariedade a exposição nem aos que apresentaram sua visões, pois num debate democrático é necessário conhecer os interesses e as intenções de todos os lados. Mas a democracia é um exercício que não permite privilégios e, neste caso, ficou evidente que foi aberto um espaço para a defesa de uma única opção. Foi possível perceber o constrangimento geral, daqueles que prezam pelso valores democráticos.

Alguém disse ao final da audiência: “Só faltou iniciar a venda dos lotes”.

Pelo bem ou pelo mal, ao cair a máscara, a vereadora Tânia Eberhart, compreendendo a situação, veio em minha defesa para que a presidência da mesa permitisse a minha apresentação, mas depois de uma hora e meio de apresentações do “lançamento imobiliário”, não iria me atrever a apresentar um tema tão denso e sério para uma plateia já cansada, declinei, pois o que havia visto já era o suficiente para entender que aquela praia era particular (embora nossa legislação não permita).
Como disse um importante membro do governo municipal numa das reuniões do Conselho Consultivo e Deliberativo da Cidade: “...democracia dá trabalho.” Então, se dá trabalho, não interessa.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

JOINVILLE E AS LEIS DE MURPHY



As 10 principais recomendações utilizadas em Joinville, com base nas Leis de Murphy, são:
1. Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.

Exemplo: Galeria da Rua Timbó

2. A informação mais necessária é sempre a menos disponível.

Exemplo: Audiência Público para a Outorga do Transporte Coletivo

 3. O pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude, o realista ajusta as velas e quem aplica Murphy não faz nada.

 Exemplo: Mobilidade Urbana

 4. Se você está se sentindo bem, não se preocupe. Isso passa.

 Exemplo: Sáude Pública

 5. Você sempre acha algo no último lugar que procura.

 Exemplo: A opinião do Cidadão

 6. Todo material escavado que sai das obras do esgoto sempre encontra seu lugar no reaterro.

 Exemplo: Obras do Esgoto Sanitário

 7. Se está escrito Área Rural, é porque não serve para ninguém.

 Exemplo: A Lei de Ordenamento Territorial

 8. Não é possível sanar um problema antes das 11:30hs.

 Exemplo: O defeito será facilmente sanado às 14:01hs, mas daí não há expediente.

 9. As Probabilidades são proporcionais aos avanços.

 Exemplo: A probabilidade de haver um buraco nas ruas é proporcional ao valor do aumento do IPTU.

 10. O gato sempre cai em pé. 
Exemplo: Não adianta fazer um projeto a “toque de caixa” sem pesquisa nem debate que pareça legal divulgando imagens na mídia. Provavelmente o Juarez Machado vai descobrir que o projeto tem falhas e a os chatos vão malhar.